11 fevereiro 2014

AVALIAÇÃO DA OPERAÇÃO DE UM ATERRO SANITÁRIO

AVALIAÇÃO DA OPERAÇÃO DE UM ATERRO SANITÁRIO

A transformação da matéria e a produção de resíduos fazem parte das atividades humanas. Inicialmente, o homem foi submetido às leis da natureza, posteriormente, tentou entendê-las e modificá-las para seu habitat. A princípio, esses resíduos eram basicamente excrementos, ao longo do tempo após o início das atividades agrícolas e da produção de ferramentas de trabalho e de armas, surgiram os restos da produção e os próprios objetos após sua utilização. Como os materiais utilizados eram em grande parte de origem natural, a sua disposição ocorria de forma inadvertida e não causavam grandes impactos ao meio ambiente. 
Além disso, o crescimento populacional não tinha a importância que tem nos tempos atuais. 
Pode-se avaliar o aumento da produção de lixo, como sendo devido ao aumento vertiginoso da população nas cidades, a mudança no comportamento humano devido a Revolução Industrial e melhoria do poder de compra. Esse tem sido nos últimos anos um dos principais desafios e problemas enfrentados pelas administrações públicas municipais brasileiras. O problema se agrava, pois a disposição que ocorre na maioria dos municípios brasileiros é de maneira menos dispendiosa, sem planejamento e até por desconhecimento da importância por parte do poder público em gerenciar e dar uma destinação final correta para o lixo. A solução mais eficaz para o problema é a implantação dos aterros sanitários, mas o mesmo tem alto custo de implantação, operação e fica em áreas isoladas, o que desmotiva e deixa para segundo plano os investimentos operacionais. 
A falta de políticas públicas voltadas para a correta destinação dos resíduos sólidos exige um envolvimento maior entre município e comunidade, no interesse e na busca efetiva de soluções para o problema. Esse envolvimento não ocorre e com a falta de investimentos tem resultado em crescente insatisfação popular, coincidindo com uma série de incidentes ligados a disposição inadequada destes resíduos, que podem representar um permanente foco de vetores de doenças e acarretar em problemas de saúde pública e também de degradação ambiental. Essa população só demonstra alguma reação quando se sente ameaçada ou atingida de alguma forma e normalmente não procura saber para onde vai e o que acontece com os resíduos provindos de suas ações cotidianas. 
Em Catalão-GO, cidade localizada no sudoeste goiano, à latitude 18° 9' 57" sul e à longitude 47° 56' 47" oeste e à altitude de 835 metros, com população recenseada em 2007 de 75 623 habitantes e PIB de mais de 2,5 bilhões de reais em 2007 o coloca como a sexta maior economia do Centro-Oeste e a terceira de Goiás. Possui área de aproximadamente 3778 km2, a situação não é diferente, (Wikipédia, 2008). Nesse sentido é importante a correta operação  3 dos aterros sanitários, para que não deixem de exercer a sua função de ordens sanitárias e ambientais, garantindo a boa qualidade de vida e preservando o meio ambiente.


 ATERRO CONTROLADO
ATERRO CONTROLADO


A necessidade de avaliar a operação do Aterro Sanitário de Catalão-GO implantado em 2005 e propor medidas de correção para eventuais procedimentos incorretos como os da figura que demostra um Aterro Controlado acima  uma categoria intermediária entre o lixão e o aterro sanitário. Normalmente, ele é uma célula próxima ao lixão, que foi remediada, ou seja, que recebeu cobertura de grama e argila, contribuindo assim para a minimização dos impactos ambientais e sanitários no local. 


Antes de caracterizar os elementos construtivos e operacionais para aterros sanitários é importante conhecer os principais impactos potencias na fase de operação e assim desenvolver os elementos construtivos e operacionais para minimizar a ocorrência dos impactos. ¾ Principais impactos potenciais na fase de operação A fase de operação caracteriza-se como o maior potencial de impactos ao meio ambiente e a saúde da população.
Os problemas sanitários têm ligação direta com a saúde pública e os problemas ambientais a afetam indiretamente.
Segundo D’Almeida (2002), os principais impactos descritos em aterros e lixões são:
- saída de material esvoaçante (a partir de veículos transportadores de lixo e da frente de operação do aterro, etc.);
- geração de gases, material particulado e ruído (pelos equipamentos fixos e móveis);
- intensificação do transito em vias de acesso;
- remoção/degradação de cobertura vegetal (área de disposição, área de empréstimo/descarte do solo);
- poluição do solo com óleos e graxas;
- geração de gases e odores (decomposição do lixo, sistema de tratamento de efluentes);
- espalhamento de lixo ao longo das vias de acesso à Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Municipais - CTRSM (perdas e lançamentos clandestinos);
- alteração do escoamento superficial;
- proliferação de vetores;
- assoreamento de corpo d’ água;
- mortes/incômodos à fauna;
- alteração da percepção da paisagem;
- depreciação de imóveis lindeiros;
- erosão pela água;
- poluição do solo e das águas subterrâneas (águas residuárias);
- poluição do solo, águas subterrâneas e composto produzido, devido à recepção de resíduos incompatíveis com a CTRSM;
- degradação da área de empréstimo/descarte de solo excedente;
- geração de resíduos (inertes: na UTC – Unidades de Triagem e Compostagem; domiciliares: nas edificações diversas; e não-inertes e/ou perigosos: na estação de tratamento de efluentes, nas oficinas e no sistema de incineração na CTRSM).
 Elementos construtivos e operacionais para aterro sanitário Ferreira (2006), destaca que para que possam, de fato, desempenhar seu papel de destinação final dos resíduos sólidos urbanos, de forma adequada e eficaz e sem comprometimento do meio ambiente de entorno, em sua acepção mais ampla, os aterros sanitários necessitam dispor de uma série de elementos básicos, essenciais, além de alguns outros de natureza acessória. Esses elementos mencionados pela Cetesb (1997), Velloso (1999) e Monteiro (2001) são descritos a seguir.

a) Vias de acesso e de serviço 
As vias de acesso externas e internas à área do projeto devem ser capazes de permitir o trânsito livre e desembaraçado de veículos de cargas pesadas, ao longo de todo o ano (inclusive no período de chuvas intensas e freqüentes) e desde a zona urbana até a frente de operações do aterro em cada momento. É importante destacar que as vias internas do aterro serão sempre mutáveis, pelo menos em uma importante parcela de sua extensão total, de modo a acompanhar o desenvolvimento físico do aterro ao longo de sua vida útil, sendo necessário prever essa variação periódica de seu traçado já na fase de projeto do aterro.

b) Controle de acesso - portaria 
A guarita é um elemento importante para abrigar os vigilantes, a quem cabe fazer o controle de acesso a área do aterro, dos veículos que transportam resíduos para disposição e dos visitantes. Também deve ser considerada a instalação de plataforma para a conferência dos resíduos que são conduzidos ao aterro por particulares.
A instalação de cancela, porteira ou portão é um dispositivo que torna obrigatória a identificação do usuário antes de acessar a área do projeto. Sua localização na entrada da área do aterro, também é recomendada para melhor visualização da aproximação de pessoas ou veículos.
Deverá, além disso, possibilitar condições adequadas de trabalho ao vigilante e ser convenientemente dotada de instalação sanitária, iluminação e ventilação natural. Caso o aterro deva funcionar à noite, deverá ser igualmente dotada de um eficaz sistema de iluminação artificial.

c) Cinturão verde 
Barreiras de vegetação densa e tem importante capacidade de reter partículas e gases poluentes da atmosfera; as folhas podem absorver gases poluentes e prender partículas sobre sua superfície, especialmente as pequenas, miúdas, pilosas, cerosas ou espinhosas.

d) Alojamento para o pessoal técnico-operacional 
Dotado de escritório, almoxarifado, ferramentaria, instalações sanitárias completas (inclusive chuveiros e vestiários), copa para conservação e aquecimento de refeições, e refeitório.

e) Galpão para guarda e reparos de máquinas 
Dotado de instalação sanitária simples e de cômodo fechado para guarda de ferramentas e peças de reposição, e/ou, insumos de uso freqüente. Poderá ser fisicamente acoplado à guarita de controle e/ou ao alojamento.

f) Sistema de impermeabilização 
Os serviços de impermeabilização inferior do aterro de resíduo domiciliar devem ser iniciados logo após a conclusão da remoção da camada de solo superficial da área operacional e consistem, basicamente, na instalação da manta de polietileno de alta densidade (PEAD) ou na execução de uma camada de argila com coeficiente de permeabilidade inferior a 10-7 cm/s e espessura superior a 80 cm, que pode ser substituída pelo terreno natural, desde que com as mesmas características.

g) Sistema de drenagem das águas pluviais 
Composto por uma rede de canaletas superficiais, revestidas ou não, acopladas ou não a escadas de dissipação de energia, conforme cada circunstância específica e que envolve progressivamente o perímetro e a frente de operação, em cada etapa, de modo a coletar e promover o escoamento controlado das águas pluviais não diretamente incidentes sobre o aterro.
É importante salientar que a eficácia e abrangência desse sistema de drenagem dependem fortemente do volume dos líquidos percolados através do aterro e que devem ser convenientemente tratados, fato esse que condiciona significativamente as unidades de tratamento desses efluentes quanto sua eficiência na redução da carga orgânica. Em alguns tipos de aterros sanitários, as canaletas de captação de águas pluviais dispostas em cotas intermediárias são progressivamente incorporadas ao corpo do aterro, passando, eventualmente a integrar o sistema de captação de percolado.

h) Sistema de drenagem e tratamento dos gases 
A drenagem e controle dos gases provenientes de aterro de resíduos sólidos urbanos consistem na redução das emissões atmosféricas de metano (CH4) e gás carbônico (CO2), gerado pela decomposição anaeróbia dos resíduos sólidos aterrados, o que diminui os problemas de odores e minimiza a migração de gases para as áreas vizinhas ao aterro.
O correto controle desses gases gerados evita ainda a ocorrência de incêndios espontâneos que podem se propagar de forma descontrolada e a possibilidade de explosões por carga de pressão na operação de compactação do resíduo.
Na maioria dos aterros sanitários, o sistema de drenagem e tratamento desses gases constitui-se de malha de chaminés de captação e escoamento e queimadores de gases, dispostos diretamente sobre a extremidade superior das chaminés de captação.

i) Sistema de drenagem do percolado
As estruturas de drenagem do percolado juntamente com o sistema de drenagem dos gases são os elementos do projeto de um aterro sanitário que requerem atenção especial na sua execução, pois seu bom funcionamento é fator determinante para a estabilidade da massa de resíduo, no caso de aterros sanitários verticalizados, além de serem estruturas que têm custos elevados de construção.
Usualmente é composto de uma rede de valas sub-superficiais, preenchidas com material drenante (de forma tal que se evite sua colmatação ao longo do tempo) e dispostas de forma difusa em toda a base do aterro, inclusive, se for o caso, ao longo dos seus taludes intermediários, de modo a captar e conduzir para o correspondente sistema de tratamento, todos os líquidos efluentes da massa de resíduos aterrados

j) Sistema de tratamento do percolado 
O percolado é resultante da degradação do material orgânico mais a infiltração das águas da chuva na massa de resíduo, sendo em geral, o subproduto mais perigoso dos aterros sanitários, pois carrega metais e amônia em altas concentrações para os lençóis freáticos, contaminando o solo e as águas vizinhas.
Diversos são os sistemas de tratamento do percolado de um aterro sanitário, sendo, entretanto, o mais utilizado as lagoas de estabilização. Outros sistemas mais ou menos sofisticados também podem ser empregados quando da concepção do projeto, sendo, essencial que sejam efetivamente capazes de reduzir a carga orgânica dos mesmos à níveis tais, que possibilitem seu lançamento na natureza em condições adequadas, para que não se constituam em uma nova fonte de degradação ambiental.

k) Monitoramento do lençol freático
Nos projetos de aterro sanitário, considera-se necessário o monitoramento das águas do lençol freático.
Esse procedimento deve ser realizado através de analises fisioquímicas e bacteriológicas em períodos pre-determinados geralmente a intervalos de seis meses para realizar esse monitoramento é recomendada a instalação de um poço a montante da área do aterro (parte mais alta) e três ou mais poços a jusante (parte mais baixa), e estrategicamente locado na direção do fluxo do lençol freático. Esses poços devem ser executados em conformidade com as recomendações da NBR 13.895 ABNT (1997).
O sistema de monitoramento tem o papel de acusar poluição e contaminação de uma determinada fonte de poluição na qualidade da água subterrânea. A localização estratégica e a construção racional dos poços de monitoramento, aliadas a eficiência da coleta, acondicionamento e análise da amostras, permitem resultados precisos sobre a influência do método de disposição dos resíduos, na qualidade da água subterrânea

l) Proteção dos taludes 
A ocorrência de um processo erosivo depende da natureza do solo, de sua permeabilidade, de sua inclinação e de como se encontra a cobertura vegetal. A declividade das rampas (taludes) nos projetos de aterro sanitário é geralmente de 30% e a cobertura vegetal passa a ser um elemento de grande importância na estabilização desses taludes. As espécies vegetais das gramíneas são as mais indicadas para essa cobertura.

m) Jazida de material de recobrimento 
Preferivelmente situada no interior da gleba em que se localiza o aterro, ou em sua proximidade imediata. É muito importante ter-se em vista que o material a ser utilizado no recobrimento das “células” diárias de resíduo compactado, além de ser consumido em relativamente em grande quantidade, deverá possuir características qualitativas tais que possibilitem a conformação de uma capa suficientemente consistente, relativamente resistente à lixiviação pelas águas pluviais e relativamente impermeáveis.

n) Valas especiais 
São aquelas destinadas para aterramento de animais mortos (de médio e grande porte) e outros resíduos volumosos, cuja disposição possa causar problemas de natureza sanitária ou operacional. Embora tais questões devam ser levadas em consideração, mesmo na busca de soluções técnicas para problemas objetivos, é importante que se tenha em conta suas implicações na rotina operacional de uma instalação relativamente complexa como um aterro sanitário.
Para deposição desses objetos volumosos, tais como pneus de veículos, móveis e grandes eletrodomésticos imprestáveis, assim como outros resíduos que, por suas características físicas, possam causar transtornos à operação do aterro sanitário. A partir de sua estocagem ordenada, pode-se proceder ao reaproveitamento parcial, ou a desagregação em peças de menor dimensão, de forma a possibilitar a destinação final em condições adequadas no aterro.
Para o Manual de saneamento da Fundação Nacional de Saúde BRASIL (2006), a disposição dos resíduos em valas consiste no confinamento dos resíduos sólidos em valas escavadas, tendo comprimento variável com largura e profundidade à quantidade de lixo a ser aterrado.

o) Balança rodoviária
Preferencialmente deve ser localizada junto à guarita de controle de acesso a área do projeto, ter capacidade de medição compatível com o peso total dos caminhões coletores utilizados, com carga plena. Embora não possa ser considerada absolutamente essencial, trata-se de um elemento de extrema importância para o controle da operação e da vida útil do aterro.

p) Pátio de compostagem
Destinado ao processamento de resíduos orgânicos diversos, resíduos da poda de grama, da arborização urbana, de estrume bovino, etc., através da compostagem natural controlada. Quanto maior for à taxa de reaproveitamento dos resíduos sólidos orgânicos gerados no ambiente urbano, através de sua transformação em fertilizante orgânico, menor será a geração de “percolado” no aterro sanitário e, conseqüentemente, seu potencial de poluição ambiental.
 Apesar de não se constituir propriamente num elemento prioritário do aterro sanitário, o pátio de compostagem, desde que adequadamente operado, tem um papel extremamente importante a desempenhar na produção de adubo orgânico para suprir a demanda do município na formação de praças e outros parques municipais de lazer, gerando a redução de gastos com adubação química. Sua localização junto ao projeto do aterro sanitário facilita tanto no transporte dos resíduos para um único local, quanto à disposição final dos rejeitos gerados no processo de compostagem

q) Área de estoque de materiais
Plataforma para deposição e armazenamento de materiais como: pedra maroada, tubos, cascalho, solo de recobrimento, etc. A partir de sua estocagem ordenada na área, poder-se-á proceder a sua utilização em tempo hábil, sempre que for necessário, evitando futuros problemas de descontinuidade operacional do projeto, prejudicando a execução de novas frentes de destinação em condições adequadas do resíduo urbano no aterro.

r) Sistema de vigilância 
Para que o projeto cumpra de fato sua função social de disposição dos Resíduos Sólidos Urbanos - RSU, há necessidade de estabelecer o controlar ao acesso de pessoas (visitantes) e da presença de animais domésticos. Isto é possível com a formação da patrulha de vigilantes em regime de 24:00 horas, que percorrendo toda área, auxilia ainda na identificação de eventuais problemas no entorno de campo, que tem influência direta e indireta com o projeto.

s) Cercas
Construídas em arame farpado ou tela rudimentar, com a finalidade de impedir a entrada de catadores na zona do aterro, como também servir para reter papéis, plásticos e outros carregados pela ação do vento.

t) Lagoa de chorume 
O processo da decomposição predominantemente anaeróbia em aterros sanitários gera como subproduto da atividade bacteriana, o chorume (líquido negro, ácido e malcheiroso). A produção dessa substância é difícil de ser avaliada, pois ocorre em função do teor de umidade encerrando na matéria orgânica.
Pode-se dizer que em aterros sanitários, essa produção é normalmente reduzida.
O problema maior reside nas águas pluviais não desviadas da área do aterro, como também na precipitação sobre o mesmo nos períodos de chuva prolongada.
Essas águas podem infiltrar-se no aterro e, após atingirem o ponto de saturação da massa de lixo, escorrerem arrastando o chorume e outros elementos prejudiciais tanto para o lençol subterrâneo como para as águas superficiais próximas ao aterro.

u) Iluminação
Esse sistema deve ser mantido nos aterros, principalmente quando houver regime de coleta noturna para proporcionar melhores condições de trabalhos para os operários.

v) Usina de triagem 
Para D’Almeida (2002), a grande justificativa de construir usinas reside nas vantagens diretas de saneamento, redução de aterro, redução de chorume e de produção de gases, bem como os benefícios indiretos, tais como menor consumo de matérias-primas, menor consumo de energia e de insumos, como água, oxigênio e redução da poluição ambiental para a produção de bens e recuperação de solos.
As usinas de triagem são usadas para a separação dos materiais recicláveis do lixo provenientes da coleta e transporte usual e ainda oferecem uma maneira de reduzir sensivelmente a quantidade de resíduos enviados ao aterro, atingindo taxas de 50%, quando bem gerenciadas.
Assim como no caso da coleta seletiva, deve haver um mercado para os materiais separados, tanto orgânicos quanto inorgânicos.

Os pontos positivos de uma usina de triagem são:

     •    Não requer alteração do sistema convencional de coleta, apenas a mudança no destino do caminhão que passa a parar em uma usina de triagem, ao invés de seguir para o lixão ou aterro.

  • Possibilita o aproveitamento da fração orgânica do lixo, pela sua compostagem.
Os pontos negativos de uma usina de triagem são:

• Investimentos iniciais em equipamentos que vão constituir a usina.
• Necessidade de técnicos capacitados para operar a usina (investimento em treinamento).
• A qualidade dos materiais separados da fração orgânica e potencialmente recicláveis não é tão boa quanto da coleta seletiva, devido à contaminação por outros componentes do lixo.

w) Cooperativa de catadores 
Para D’Almeida (2002), a administração pública, em conjunto com uma entidade de assistência às populações carentes, pode incentivar a formação de associações de catadores, formalizando uma atividade de longa data marginal, auxiliando com a dotação de uma infra-estrutura mínima e ajudando a resgatar a cidadania desse segmento excluído.
A organização desses trabalhadores pode ajudar a racionalizar a coleta seletiva e triagem, reduzindo custos e aumentando o fluxo de materiais recicláveis. Para esse objetivo, a prefeitura deve incentivar a formação de cooperativas de catadores.

 Procedimento operacional 
Para que um aterro funcione em boas condições ele deve atender a alguns procedimentos e segundo Monteiro (2001), a operação de um Aterro Sanitário para Resíduos Sólidos Municipais deve ser da seguinte forma:
Uma vez concluídas as obras de implantação, deve-se convidar a equipe técnica do órgão de controle ambiental para inspecionar o aterro. Se houver exigências, procede-se às adequações solicitadas pelo órgão ambiental, cuja equipe técnica será novamente convidada a inspecionar as obras revisadas e/ou refeitas, até a obtenção da licença de operação para em seguida dar início efetivo ao recebimento das cargas de lixo no aterro, que deverá obedecer a um plano operacional previamente elaborado.
O plano operacional deve ser simples, contemplando todas as atividades operacionais rotineiras em um aterro e garantindo uma operação segura, como descrita a seguir por (MONTEIRO, 2001)

- Controle dos Resíduos 
Ao ingressar no aterro, o veículo de coleta vai diretamente para a balança rodoviária, onde é pesado e onde são anotadas todas as informações a respeito da sua carga.
Caso não haja balança, o veículo deve ir até a guarita de entrada, onde o encarregado fará as anotações que o identifiquem e à sua carga de resíduos, incluindo a estimativa do peso (ou volume) de lixo que está entrando.
Em seguida, o veículo se dirige à área operacional para descarregar o lixo.
O aterro normalmente é dividido em níveis, cada um dos quais com lotes de dimensões variadas, que se acham subdivididas em células dimensionadas para aproximadamente 20 dias de operação. Os procedimentos para a execução da obra são quase os mesmos, independentemente do método seguido.
- As regras básicas para a operação de um aterro sanitário são:
• o espalhamento e a compactação do lixo deverão ser efetuados, sempre que possível, de baixo para cima, a fim de se obter um melhor resultado;
• para uma boa compactação, o espalhamento do lixo deverá ser feito em camadas não muito espessas de cada vez (máximo de 50 cm), com o trator dando de três a seis passadas sobre a massa de resíduos;
• a altura da célula deve ser de quatro a seis metros para que a decomposição do lixo aterrado ocorra em melhores condições;
• a inclinação dos taludes operacionais mais utilizadas é de um metro de base para cada metro de altura nas células em atividade e de três metros de base para cada metro de altura nas células já encerradas;
• a camada de solo de cobertura ideal é de 20 a 30 cm para os recobrimentos
diários de lixo;
• uma nova célula será instalada no dia seguinte em continuidade à que foi concluída no dia anterior;
• a execução de uma célula em sobreposição à outra ou o recobrimento final do lixo só deverá acontecer após um período de cerca de 60 dias;
• a camada final de material de cobertura deverá ter a espessura mínima de 50 cm;
• a largura da célula deverá ser a menor possível (em geral, suficiente para descarga de três a cinco caminhões coletores).

- Os procedimentos operacionais a serem adotados são os seguintes: 

• preparo da frente de trabalho que se compõe de uma praça de manobras em pavimento primário, com dimensões suficientes para o veículo descarregar o lixo e fazer a manobra de volta;
• enchimento da Célula 1 (um), que consiste no espalhamento do lixo por um trator de esteiras, em camadas de 50cm, seguido da sua compactação por, pelo menos, três passadas consecutivas do trator;
• cobrimento do topo da célula, com caimento de 2% na direção das bordas, e dos taludes internos com a capa provisória de solo, na espessura de 20cm;
• cobrimento dos taludes externos com a capa definitiva de argila, na espessura de 50 cm;
• alguns dias antes do encerramento da Célula 1, prolongar a frente de trabalho,
com as mesmas dimensões da anterior para atender à Célula 2;
• após o encerramento da Célula 1, executar o dreno de gás;
• repetir as mesmas operações de enchimento da célula anterior e preparo da célula seguinte até que todo o lote 1 seja preenchido;
• repetir as mesmas operações para o enchimento dos lotes 2, 3 e assim sucessivamente até completar todo o nível inferior;
• proceder ao enchimento da Célula 1 do nível superior seguindo a mesma seqüência de operações utilizada para o nível inferior;
• quando se estiver aterrando as células do último nível, proceder à cobertura final da célula encerrada com uma capa de argila compactada de 50 cm de espessura, dando um caimento de 2% no sentido das bordas;
• repetir a seqüência de operações até o enchimento completo de todos os lotes em todos os níveis.

- Tratamento do chorume: 
O chorume deve ser coletado e tratado e a forma de tratamento mais empregada é através de lagoas aeróbias precedidos de um gradeamento manual ou peneiramento mecânico e em seguida deve passar pelo tanque de equalização onde o chorume deve ficar retido por 24 horas para homogeneizar ao máximo sua composição.
Dessa série de lagoas, o efluente (chorume) sofre um polimento final em outra lagoa aeróbia com as mesmas características físicas das anteriores, mas com capacidade de reter o chorume tratado por sete dias.
O lodo removido do tratamento do chorume passa por um processo de secagem e posteriormente é removido de volta ao interior do aterro sanitário, enquanto que a fração líquida pode ser descartada diretamente no corpo receptor ou ser usado por caminhão-pipa nas vias internas como aspersor de poeira.

- O sistema de drenagem de águas pluviais deve ser mantido limpo e desobstruído, principalmente as travessias enterradas.

- Equipamentos utilizados segundo MONTEIRO (2001). 
Os maquinários utilizados na operação de um aterro sanitário são: 
• Trator de esteira para espalhamento, recobrimento e compactação do lixo; 
• Caminhão basculante para transporte de material de cobertura e para execução dos acessos internos; 
• Pá mecânica para carregamento dos caminhões; 
• Retro-escavadeira para abertura e manutenção das valas de drenagem; 
• Caminhão-pipa para aspersão de poeira nas vias internas. 

Após o trabalho realizado sobre formas corretas de destinação final do lixo domiciliar e da avaliação da operação do aterro sanitário  foi constatado que as principais desconformidades encontradas foram valas abertas em desacordo com o projeto executivo aprovado, resíduos dispostos fora das valas (a céu-aberto), abertura e fechamento de valas em desacordo com os procedimentos técnicos, não recobrimento diário dos resíduos dispostos na valas, falta de impermeabilização das valas, falta de coleta e tratamento do chorume e dos gases produzidos pelo lixo, queima de resíduos a céu-aberto pelos catadores, disposição de resíduos hospitalares em aterro destinado a resíduos domiciliares, presença de urubus, cachorros, gatos, outros animais e de catadores, falta de vala e incinerador para receber animais mortos, falta de controle de entrada e saída de visitantes. 
Quando citado sobre descarregamentos clandestinos na área do aterro feita por moradores e comerciantes da cidade, devem-se orientar os responsáveis por tal ação que a mesma não deve ocorrer, pois aumenta os impactos sobre o meio ambiente e à saúde pública além de existir  na cidade a coleta de lixo urbano realizado pela prefeitura municipal.
Uma vez identificados os produtores e transportadores, devem ser prevenidas as autoridades competentes para que sejam tomadas as medidas cabíveis. O controle de macro vetores como urubus pode ser feito com foguetes, espantando-os para fora da área do aterro. 
Para os pneus depositados no aterro, os mesmos devem ser recolhidos pelo fabricante e as importadoras de pneumáticos e serem depositados de forma ambientalmente correta, segundo a Resolução do CONAMA nº 258, de 02 de Dezembro de 1999. 
Outra sugestão é refazer o projeto operacional do aterro sanitário do município  dando ênfase em programas de monitoramento ambiental, utilização de técnicas de engenharia para evitar a contaminação do ar, água subterrânea e solo e contratação de pessoal treinado e capacitado para operação do aterro. 
Após os resultados e análises feitas, o aterro é melhor classificado como Aterro Controlado e não Sanitário como a prefeitura do município o classifica. O aterro controlado apresenta pelo menos o recobrimento diário do lixo depositado nas valas, o que não ocorre no aterro de Catalão onde esse procedimento não tem tempo certo de ocorrência. O mesmo provoca a proliferação de macro e micro vetores que causam diversas doenças prejudiciais à saúde do homem. Ele foi assim classificado como controlado por não possuir técnicas de engenharia desenvolvidas para minimizar as potenciais ações poluidoras da disposição de lixo, como coleta e tratamento de gases e chorume, controle de macro vetores, controle de entrada de caminhões e visitantes, impermeabilização das trincheiras e recobrimento diário do lixo, iluminação para trabalhos noturnos, entre outros elementos que estão em desconformidade. 
Os elementos mais característicos de um Aterro Sanitário existentes no aterro  são o incinerador de lixo hospitalar, as lagoas de chorume, cinturão verde e a usina de triagem de lixo domiciliar que estão em funcionamento, porém estão em desconformidade  e operando de forma irregular as orientações operacionais de um aterro sanitário. 

10 fevereiro 2014

ATERRO SANITÁRIO

ATERRO SANITÁRIO

Desde os primórdios da civilização humana, o homem se projeta como causador imediato do crescente risco de colapso ambiental. A concentração megalópole traz no contexto fático, a produção descontrolada de lixo e resíduos sólidos, o que por certo, produz a criação de locais destinados ao armazenamento destes insumos humanos, sem contudo, observar a proteção ao meio ambiente e apresentando como consequência imediata, a contaminação do solo e seus nutrientes.




ATERRO SANITÁRIO, RISCO AMBIENTAL
ATERRO SANITÁRIO,  SE FOR FEITO E AVALIADO PERIODICAMENTE NÃO A RISCO AMBIENTAL
“De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a produção diária de lixo nas cidades brasileiras chega a 150 mil toneladas. Deste total, 59% vão para lixões e apenas 13% são reaproveitados. O ministério informou ainda que Orçamento de 2011 prevê R$ 1 bilhão para financiamentos e incentivos do governo a reciclagem. Além disso, a Caixa Econômica Federal terá R$ 500 milhões disponíveis em crédito para cooperativas de catadores e projetos que tratam de manejo de resíduos”.
Fato é que entre as recentes intervenções Jurídicas a lei que regula a política nacional de resíduos sólidos ou reciclagem do lixo, tramitou no Congresso Nacional por 21 anos, e somente foi sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Trata a referida Lei, dentre outros direcionamentos, sobre a “logística reversa”, conhecida também por logística reversível, que genericamente, deveria cuidar do refluxo físico de produtos industrializados, embalagens ou outros materiais, desde o ponto de consumo até ao local de sua produção.
Há alguns aspectos da recente lei que merecem destaque, dentre eles a obrigação de recolhimento por parte do fabricante, de materiais agrotóxicos, pilhas, baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas e eletroeletrônicos e etc.
Outro fator que merece atenção é a constatação intrinsecamente em seu texto, de pilares de sustentação social: a conscientização dos problemas ambientais; a sobre-lotação dos aterros; a escassez de matérias-primas; as políticas e a legislação ambiental.
Aborda ainda, o texto do dispositivo legal, estampados sem reservas, alguns dos Princípios Norteadores do Direito Ambiental, além de determinação especifica, direcionada aos cidadãos e compartilhada com as demais pessoas jurídicas, que pela lei, são considerados como:

geradores de resíduos sólidos: pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, que geram resíduos sólidos por meio de suas atividades, nelas incluído o consumo”; (grifo nosso)
Proíbe ainda a referida lei em seu art. 47, a criação de lixões onde os resíduos são lançados a céu aberto, demonstrando assim, preocupação imediata por parte do legislador.
Entretanto, entre a sanção Presidencial e a aplicação efetiva do instrumento jurisdicional o caminho a ser percorrido é árduo e longo, necessitando de um aporte sócio cultural, para obtenção de resultado expressivo.
Em que pese o objetivo das novas regras em estabelecer a responsabilidade compartilhada entre a sociedade, empresas, governos, no manejo correto dos resíduos, a adoção de uma lei nacional para disciplinar tal manejo é uma revolução em termos ambientais.
E mais, deve-se ainda destacar no texto da lei, o mérito da inclusão social dos trabalhadores nos lixões, que ficaram a longo tempo a mercê de uma falta de legislação e proteção do poder público.
Pois bem, resumindo, a intenção do legislador na proteção do meio ambiente é notória, que inclusive programa ações direcionadas a sociedade como um todo, de maneira a controlar de modo eficiente a produção de resíduos sólidos.
Falta então a criação por parte do poder público de eco pontos de coleta, e criação de uma cadeia de valores ambientais para se determinar o imediatismo destas ações, além de mudanças comportamentais por parte da sociedade.

SOLUÇÕES PARA OS ENTULHOS

SOLUÇÕES PARA OS ENTULHOS

ITENS QUE SÃO COMENTADOS A LEI 12.305 E A RESOLUÇÃO DO CONAMA 307
PASSOS - MG PRECISA TER UM PROJETO PARA ESTE DESENHO
Ao ser obrigado pela legislação ambiental, em especial pela Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e Resolução CONAMA 307/2002, a segregar os resíduos nas obras, é comum que a primeira reação seja adversa.

Em especial quanto aos resíduos classe A, típicos de construção, como restos de concreto, tijolos, argamassas, telhas de barro, olha-se para as inúmeras caçambas de entulho retirados dos pátios e logo começa a reclamação sobre o preço do serviço de caçamba. A novidade agora é criticar também as empresas que fazem o tratamento dos resíduos Classe A – com a trituração para que voltem à cadeia produtiva como agregados, para serem usados na execução de pisos e outros usos não estruturais. 
Ao reclamar do custo com o armazenamento, transporte e destinação ambientalmente adequada dos resíduos da construção civil, que de fato oneram as obras, muitas vezes os responsáveis pelas obras esquecem-se de que todo entulho depositado na caçamba é fruto também de erros e omissões na execução dos projetos.

Sim, é preciso reconhecer que boa parte do entulho de obra, resíduos Classe A, é fruto de falhas, muitas das vezes, de engenheiros e arquitetos! Ou o entulho excedente vem da ausência de um projeto bem elaborado, ou da falta de bons projetos complementares e sua compatibilização com o projeto original. Outro problema, muito comum, é a falta de supervisão adequada na execução dos serviços, muitas vezes delegada a mestres de obras ou pedreiros sem treinamento de qualidade.
É preciso ficar claro que em reformas, a geração de entulho é grande, mas muitas vezes inevitável.

Fala-se aqui de obras novas, nas quais, com planejamento adequado, é possível evitar muito “quebra quebra” ou retrabalho - e assim minimizar a geração de muito entulho. Além disso, mais caro que o custo da destinação dos resíduos é o custo dos materiais desperdiçados e da mão de obra que terá que ser paga novamente para refazer o trabalho antes mal feito.

Todo resíduo é desperdício, dinheiro jogado fora. .Antes de reclamar do custo da destinação ambientalmente correta dos resíduos, é preciso rever conceitos.

Para empresas que querem melhorar seu desempenho quanto à redução de desperdício e quanto à geração de resíduos, é indispensável que seja promovido treinamento de qualidade nas obras. Para isso, destaca-se o papel do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, que está à disposição também para o desenvolvimento de profissionais da construção civil.

Providenciar projetos de arquitetura e projetos complementares bem elaborados também melhoram a performance. Outra forma é promover minuciosa e atenta supervisão da execução da obra e o seu monitoramento. Um exemplo é implantar programa de redução de desperdício desde o início da obra, com metas de redução de número de caçambas por metro quadrado de obra construída. Só assim, com o compromisso e responsabilidade dos profissionais do setor, será possível reduzir a geração de entulhos e melhorar a segregação dos resíduos da construção civil na fonte, na obra.
Fernando de Barros é engenheiro civil, especialista em Planejamento e Gestão Ambiental, mestre em Engenharia de Edificações e Saneamento e responsável técnico da Master Ambiental.

09 fevereiro 2014

CONSTRUÇÃO CIVIL PRECISA REVER A GERAÇÃO DE RESÍDUOS EM PASSOS - MG

CONSTRUÇÃO CIVIL PRECISA REVER A GERAÇÃO DE RESÍDUOS



construção civil precisa rever a geração de resíduos
MARKET ELETRÔNICA DE ENTULHOS PARA PASSOS - MG

OS ESTUDOS VÃO TER OPORTUNIDADES FUTURAS DE EMPREGO, E SE A ENGENHARIA CIVIL VAI GANHAR SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL..... SOBRE ESTE ASSUNTO NÃO SE OU OUVE E VÊ NADA A MAIS QUE MARKETING DESNECESSÁRIOS NA CLASSE DA ENGENHARIA........QUANDO A ENGENHARIA E AS CIDADES VÃO ADQUIR SUSTENTABILIDADE URBANA PARA NA REGIÃO.........E SUMIR COM OS RESÍDUOS TRANS FORMANDOS EM MATÉRIA PRIMA PARA CALÇADAS E ESTRADAS E OUTROS ITENS,....... PARA OUTROS QUEM VEM DEPOIS PODEREM CAMINHAR COM MAIS SEGURANÇA......E NÃO SÓ APRENDER MATÉRIAS NA TEORIA E SIM PRATICÁ-LAS............ETC ........em baixo um exemplo da revisão da geração de resíduos da construção civil

Construção civil precisa rever a geração de resíduos

Sustain Total – Brazil Waste Summit 2011 – promove debate sobre o tema e aponta soluções


A construção civil é responsável por até 50% do total de resíduos sólidos gerados no Brasil. Segundo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, estudo realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), os municípios brasileiros coletaram cerca de 31 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição (RCD) no ano passado, 8,7% a mais que em 2009. “Trata-se de um dado preocupante, já que as quantidades reais são ainda maiores, visto que os municípios em geral coletam somente os entulhos abandonados ou indevidamente lançados em logradouros públicos”, afirma o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, Sergio Ângulo.
Atualmente, dispomos de um arcabouço legislativo e de marcos regulatórios por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos, da Resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da Política Nacional de Saneamento Básico, que colocam o setor no tema com alguma maturidade. Porém, segundo Ângulo, a maior parte dos resíduos gerados na construção civil vem de autoconstruções e reformas e, na maioria das vezes, não são destinados corretamente porque não há conhecimento da população, que acaba jogando os entulhos no lixo comum – ou ainda depositando-os em terrenos baldios, praças, ruas e encostas de rios.
Em vigor desde 2003, a Resolução 307 do Conama estabelece uma regra simples e óbvia: quem gera entulho deve se responsabilizar pelo transporte e destinação adequada desses materiais. Ou seja, entulho jogado em áreas públicas ou despejado em terrenos particulares pode gerar multas ou ainda o responsável pode responder uma ação na justiça.
A deposição clandestina de entulho agrava os impactos ambientais, uma vez que provoca o assoreamento de córregos, o entupimento de redes de drenagem e, como consequência, em alguns casos, as enchentes urbanas. Os aterros ilegais, por sua vez, acabam por se tornar locais atrativos para destinação a baixo custo, agravando o problema.
Reciclagem
De acordo com dados do Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (IBDS), aproximadamente 90% dos resíduos da construção civil podem ser reciclados. “A comercialização e reutilização dos produtos podem reduzir custos e diminuir o volume de guarda e transporte dos itens, gerar receitas diretas com a venda ou indiretas por meio de doações e redução do consumo de energia da extração de recursos naturais”, revela o presidente do IBDS, Carlos Renato Garcez do Nascimento.
Inúmeras pesquisas em universidades apontam caminhos para o reaproveitamento desses resíduos. Em usinas de beneficiamento, o entulho vermelho (restos de tijolos, telhas, blocos cerâmicos e terra) se transforma em um agregado reciclado que pode ser utilizado como base e sub-base na pavimentação de ruas, por exemplo. Já o entulho cinza, composto por restos de concreto, vira areia reciclada (ideal para argamassa de assentamento) e brita de diversas granulometrias.
Em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), foi inaugurada em maio de 2011 uma usina de reciclagem de materiais de construção – a Usipar. O processo usado na fábrica recolhe resíduos do tipo A, que inclui a caliça das obras de construção (restos de material cerâmico, concreto, argamassa) e tritura, transformando os materiais em areia, brita, pedrisco e rachão, que serão comercializados para uma nova utilização na construção civil com o preço 25% mais barato que os produtos não reciclados. Além disso, o processo evita a extração desses materiais no meio ambiente.
Atualmente, apenas cerca de 5% do total de resíduo gerado na construção civil é reciclado no Brasil. Na Europa e nos Estados Unidos, a prática da reciclagem do entulho já está consolidada. A Holanda, por exemplo, recicla 95% do entulho. Para Sérgio Ângulo, o processo de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil no Brasil ainda está muito precário. Segundo o pesquisador, a Política Nacional de Resíduos Sólidos pode até regulamentar a gestão de resíduos, mas ainda é necessário evoluir a discussão sobre reciclagem. “Primeiro temos que resolver a questão global de gestão de resíduos para depois cuidar de resíduos da construção”, diz.
Ângulo acredita que as dificuldades da gestão de resíduos na construção começam pelos fatores culturais: “dificilmente o engenheiro vai parar de trabalhar na obra para implantar um sistema de reciclagem no canteiro”, afirma. O pesquisador também demonstra preocupação com a qualidade do material reciclado, já que muitos produtos apresentam problemas. “Nós temos de olhar com mais atenção para o que ainda não tem como ser reciclado”, complementa. Ele cita como exemplo a madeira com biocida, o gesso misturado com concreto e a argamassa pigmentada.
Segundo Ângulo, o setor de construção civil enfrenta três principais desafios em relação à gestão de resíduos: a difusão da resolução Conama 307 em pequenos municípios, de forma a eliminar o descarte ilegal; a introdução de práticas de redução da geração de resíduos para geradores informais e a disseminação de tecnologias apropriadas de reciclagem e práticas de controle de qualidade deste material que permitam reverter os indicadores de reciclagem nacionais.
Recursos Disponíveis
Visando estimular a reciclagem de resíduos de construção e demolição – e seu reaproveitamento nas obras – além de promover a educação ambiental e a mobilização da sociedade, a Caixa Econômica Federal lançou chamada pública para implementação de projetos para gestão de resíduos sólidos de construção e demolição, feitos por consórcios públicos e prefeituras municipais. O Fundo Socioambiental Caixa poderá aplicar até R$ 3,8 milhões nos projetos. O investimento contribuirá para a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo estimativas do banco oficial, de 40% a 70% dos resíduos urbanos são de construção e demolição, gerados na construção da infraestrutura urbana.
Boas Práticas
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê que cada município deve criar um programa de gestão dos resíduos da construção civil, justamente para que possa ter autonomia para decidir como resolver o problema – já que não há uma receita ou fórmula de sucesso a ser copiada por qualquer um em qualquer lugar.

No estado de São Paulo, as prefeituras de São José do Rio Preto e Americana criaram pontos de entrega voluntária de entulho, contrataram aterros e construíram usinas de beneficiamento que reciclam os resíduos, transformando-os em matéria-prima de qualidade para obras públicas. São José já consegue reciclar cerca de 80% de todo o entulho gerado nas obras que ocorrem na cidade. Outro exemplo interessante no estado é Guarulhos, que também conta com uma usina recicladora de entulho.

No Paraná, a empresa Kürten lançou recentemente, em parceria com grupo de empresas alemãs, a primeira franquia nacional de casas pré-fabricadas em wood frame, sistema construtivo que agiliza processos e reduz o impacto ambiental na construção civil. As estruturas das moradias são feitas em ambiente industrial, com sistemas totalmente automatizados e com alto controle de qualidade. Além da rapidez, é possível ter uma “obra seca e limpa”, que dispensa o uso de cimento, tijolos e armações convencionais. Por ser planejada de forma racional, praticamente não há desperdício de materiais.
Outro exemplo de sustentabilidade na construção civil refere-se à demolição do antigo pavilhão do Parque Barigui, em Curitiba – que dará lugar a um moderno centro de eventos. Cerca de 500 toneladas de ferragens, madeira, telhas, peças de granito, globos de luz, divisórias, pias e torneiras serão reutilizadas pelo município em diferentes equipamentos urbanos. O plano do consórcio de empresas, responsável pela construção e operação da obra, é a utilização integral de todo o material gerado pelo trabalho. O que não puder ser destinado à reciclagem será utilizado na própria construção do novo centro. A estimativa é que 200 toneladas de resíduos sejam utilizadas na própria obra.
Em abril de 2011, a ONG brasileira Curadores da Terra foi a vencedora do Concurso Internacional Ashoka / Fundação Rockfeller – Sustainable Urban Housing –, com a proposta de uma casa ideal – construção que prevê o reaproveitamento total de todos os resíduos plásticos, orgânicos e minerais. O modelo será replicado em toda a América do Sul, Central e Caribe, e levada ao Summit of Americas e Rio +20, ambas em 2012.
Fórum Nacional
As discussões sobre o papel da construção sustentável no desenvolvimento das cidades tiveram início no 4º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável (SBCS11), promovido pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), no mês de agosto, na cidade de São Paulo (SP). Em outubro, as discussões continuam no Fórum Nacional e Feira Internacional de Resíduos Sólidos – o Sustain Total, em Curitiba (PR).
O evento, que acontece de 5 a 7 de outubro, faz parte de uma rede de feiras internacionais de resíduos sólidos (Reino Unido, Dubai, Coreia do Sul e Estados Unidos) e tem por objetivo de integrar parceiros estratégicos e compartilhar soluções entre os continentes, além de fomentar a discussão sobre as questões abordadas na PNRS.


Promovido pelo IBDS, o evento traz as principais tecnologias e modelos de gestão de resíduos sólidos de países líderes da Europa, América e Ásia. A feira reúne as principais soluções e equipamentos a setores produtivos, empresas públicas e governos municipais, de forma a contribuir para uma melhor elaboração, desenvolvimento e gerenciamento dos planos municipais. O encontro conta com uma programação completa de painéis de debates, reunindo mais de 50 palestrantes, sobre 24 temas relacionados à gestão de resíduos sólidos.

Segundo o presidente do IBDS, Carlos Renato Garcez do Nascimento, a promoção de debates sobre os resíduos sólidos na construção civil visa a superação de desafios internos e externos ao longo da cadeia produtiva. “Só assim, poderemos assegurar avanços no estágio atual de gestão de resíduos sólidos do setor, como: a promoção e a implementação da autorregulação; o exercício efetivo e obrigatório da logística reversa e a formalização de fluxos de forma que esteja explícita a matriz de responsabilidades no pós-obra, exigindo-se a plena legalidade de atuação dos agentes transportadores e receptores”, finaliza.

08 fevereiro 2014

3ª DO PLURAL - ENGENHEIROS DO HAWAII - ANALISE DA LETRA

QUEM NÃO TEM CULTURA ACHA QUE CULTURA É LOUCURA E QUEM GANHA DA CULTURA GANHA POR POUCO TEMPO DEPOIS COMEÇA PEDIR APRENDIZADO..
 
3ª DO PLURAL - ENGENHEIROS DO HAWAII
 
quem são eles você   já sabe?????
quem são eles você   já sabe?????



Corrida pra vender cigarro
cigarro pra vender remédio
remédio pra curar a tosse
tossir, cuspir, jogar pra fora
corrida pra vender os carros
pneu, cerveja e gasolina
cabeça pra usar boné
e professar a fé de quem patrocina






Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, de rir ... Querem te fazer chorar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Corrida contra o relógio
silicone contra a gravidade
dedo no gatilho, velocidade
quem mente antes diz a verdade
satisfação garantida
obsolescência programada
eles ganham a corrida antes mesmo da largada

Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, à sede...eles querem te sedar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Vender... Comprar... Vedar os olhos
jogar a rede contra a parede
querem te deixar com sede
não querem nos deixar pensar
quem são eles?
quem eles pensam que são?



Todos os dias as pessoas são atingidas por inúmeras mensagens publicitárias, tanto de forma consciente quanto inconsciente. Essa letra aborda, basicamente, o poder que os meios de comunicação tem de persuadir e assim condicionar a vida das pessoas da sociedade de massa. A mídia cria um falso desejo para a sociedade, falso desejo pois assim que a pessoa compra o produto que tanto aspirou, outro produto mais recente é lançado e essa pessoa se sente na obrigação de comprá-lo apenas para se enquadrar em um grupo e não se sentir excluída dos demais.
No trecho ‘’Satisfação garantidas, obsolescência programada, eles ganham a corrida antes mesmo da largada’’, o compositor nos passa a ideia de que os produtos que consumimos já foram criados para serem descartáveis, ou seja, a pessoa compra um produto novo e se sente satisfeita, mas assim que surge uma versão mais moderna essa satisfação acaba, já que a pessoa foi levada pelos meios de comunicação e se sente excluída se não tiver o produto ‘’mais novo’’ e que está ‘’na moda’’. É uma batalha injusta, já que grande parte da sociedade não sabe quais são as técnicas utilizadas pelos meios de comunicação para persuadir boa parte das pessoas, por esse motivo a mídia ganha a corrida antes mesmo da largada, pela falta de conhecimento e pela falta de meios mais educativos que mostrem o verdadeiro valor das coisas.
No último trecho ‘’Vender... Comprar... Vedar os olhos, jogar a rede contra a parede, querem te deixar com sede, não querem nos deixar pensar’’ o compositor deixa exposta claramente sua opinião sobre como as pessoas acabam ficando cegas dentro da sociedade, cegas pelos mesmos motivos apontados anteriormente, cegas no sentido de que deixam ser enganadas pela mídia boa parte de suas vidas consumindo produtos achando que assim vão conseguir aliviar tensões do dia-a-dia e serem mais felizes. Não querem nos deixar pensar, pois se temos o conhecimento, logo, consumimos menos e destruímos todo um sistema capitalista. É por esse motivo, que os meios de comunicação se aproveitam para criar falsos desejos, obsolescência e medo. Pois, é só assim que conseguirão continuar condicionando e tendo o pleno controle sobre as atitudes da sociedade. Os meios de comunicação são uma arma poderosa, que podem ser usados tanto para alienar como para educar, infelizmente, a primeira opção reina até os dias de hoje. 
Fonte Video: You tube

ASPECTOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO (RCD)

ASPECTOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO (RCD)


O crescimento populacional e a busca constante de novas tecnologias induzem cada vez mais a exploração e transformação dos recursos naturais, aumentando a geração de resíduos sólidos, fator este que agrava a questão ambiental e sanitária, haja vista, que além da preocupação com a saúde humana, é fundamental pensar, também, na manutenção das condições de vida em um ambiente sustentável.



ASPECTOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DOS RESÍDUOS DE  CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO (RCD)
ASPECTOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DOS RESÍDUOS DE  CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO (RCD)
Todas as atividades atualmente desenvolvidas pela sociedade, em especial no meio urbano, são potencialmente geradoras de impactos ambientais negativos, que vão desde o consumo descontrolado de recursos naturais até situações alarmantes de poluição, chegando a causar acidentes de proporções catastróficas (CARNEIRO, 2005).
A expansão das cidades, a construção de novas casas, prédios, escolas e empreendimentos comerciais, reformas e demolições, acontecem em ritmo freqüentemente incompatível com a capacidade ideal dos aglomerados urbanos. O meio ambiente é agredido não só por causa do crescimento desordenado, mas também pelos resíduos que essas construções geram. São pedaços de tijolos, cerâmicas, vidros, aço, cimento, embalagens, gesso, resíduos perigosos (tinta, óleos, solventes), materiais que muitas vezes não tem destinação final adequada.
Com o desenvolvimento dos centros urbanos, a demanda por construções localizadas no perímetro urbano contribuiu para o aumento da geração de resíduos de construção e demolição, sendo considerada uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social do país, a Construção Civil também é responsável por diversos impactos ambientais negativos, seja pelo consumo de recursos naturais, pela
modificação da paisagem ou pela geração de resíduos.
Resíduos de construção e demolição muitas vezes são depositados em locais inadequados como: aterros, córregos, bota-foras, terrenos baldios, vias públicas. O que transforma esses locais em ambientes propícios a proliferação de vetores causadores de doenças, tornando-se uma fonte geradora de problemas de saúde pública e ocasionando sérios prejuízos a municipalidade.
A Cidade de Campina Grande/PB, não apresenta um expressivo volume de construções quando comparada com cidades de mesmo porte, mas os RCD precisam ser gerenciados adequadamente para minimizar o impacto ambiental, diminuir os custos com programas de limpeza pública e de combate a doenças por causa do acúmulo de vetores, tendo em vista que o saneamento ambiental está diretamente associado à saúde da população.
Em julho de 2002, o CONAMA, aprovou a Resolução nº 307, criando responsabilidades para a cadeia: gerador/ transportador/ receptor/ municípios, contribuindo para a redução dos impactos ambientais gerados pelos resíduos oriundos da construção civil; e viabilizando técnicas para produção e uso de materiais provenientes da reciclagem de resíduos da construção civil.
A falta de gestão de resíduos sólidos compromete não só a saúde humana, mas de todos os seres vivos, uma vez que a sujeira acumulada no ambiente aumenta a poluição e piora as condições de saúde das populações em todo o mundo, especialmente nas regiões menos desenvolvidas do planeta. A conscientização da população na importância de uma metodologia diferenciada destes resíduos, como também a definição de políticas públicas nos meios de comunicação, são fatores essenciais para que a sociedade forneça resposta ao sistema.
Tendo em vista a atual situação dos impactos causados pela construção civil ao meio ambiente, este trabalho objetiva realizar a qualificação e a quantificação dos resíduos de construção e demolição produzidos na cidade de Campina Grande/PB, bem como apontar alternativas que possibilite a viabilidade de reutilização dos resíduos de construção e demolição.

CARACTERIZAÇÃO QUALITATIVA DOS RCD 

A caracterização qualitativa dos RCD, ou seja, a definição de quais materiais mais comumente é utilizada para a confecção de construções verticais na cidade em questão, foi realizada mediante a separação manual dos materiais freqüentemente encontrados nas obras de construção, dentre os quais englobavam tijolos, gesso, cerâmica, madeira, ferro, areia e cimento.
Após a separação manual, os materiais foram classificados de acordo com a resolução nº 307 do CONAMA, classificando-os por classes distintas.

CARACTERIZAÇÃO QUANTITATIVA DOS RCD 

A caracterização quantitativa teve por finalidade estabelecer o volume de RCD que é desperdiçado em cada obra, bem como realizar a estimativa que quanto RCD é desperdiçado por metro quadrado construído. De acordo com a forma de acomodação dos RCD em cada obra, foi desenvolvida uma metodologia para a caracterização quantitativa dos resíduos, para isso três metodologias foram aplicadas para esta quantificação:
 a) Se os resíduos estivessem dispostos em pilhas contendo um único material;
 b) se os resíduos estivessem dispostos em pilhas contendo diversos materiais;
 c) se os resíduos estivessem acomodados em recipientes (tambores, latões, caçambas entre outros).

a) Se os resíduos estivessem dispostos em pilhas contendo um único material;
O primeiro passo era calcular a medida da área que a pilha de entulho ocupava. O cálculo da área foi obtido através de figuras planas que mais se aproximasse da configuração da pilha de entulho no solo. Depois de obtido o calculo da área, a próxima etapa era a obtenção do volume total da pilha. O volume era calculado da seguinte forma:
Tendo em vista que as pilhas de entulho não apresentavam altura uniforme, houve a necessidade de obter a medida em diversos pontos da pilha para a aquisição de um valor médio da altura. Para realização desta medição, foi utilizada uma haste de ferro de 2m e uma fita métrica. Posteriormente o volume total da pilha era calculado, através dos valores obtidos do cálculo da área e da altura média.
Por último foi calculado a massa total dos resíduos. Para obtenção do cálculo da massa total, foi necessária a retirada em pontos distintos de amostras que somadas totalizavam 10% do volume total da pilha de entulho.
Este processo foi realizado com auxílio de um balde de 13 litros, por meio do qual foi calculada a massa específica do material presente na pilha de entulho, através da equação (A).


EQUAÇÃO (A) 
Onde: ρ: massa específica;
 M: massa (kg);
 V: Volume (m3).

A partir dos valores obtidos da massa específica de cada material e do volume total de cada pilha de entulho, os valores da massa total de cada pilha são conseguidos de forma indireta através da equação (A), colocando em evidência a massa.

b) Se os resíduos estivessem dispostos em pilhas contendo diversos materiais;
 No início o processo se dava semelhante-mente ao de pilhas um único material. Também foi calculada a medida da área e do volume, utilizando a áreas de figuras planas.
Para o calculo do massa específico o processo de caracterização se dava de uma for diferenciada. Previamente as pilhas contendo diversos materiais tinham de serem separadas manualmente, para que todos os materiais pudessem ser pesados de forma individual.
Em diferentes pontos da pilha de entulho foram retirados o RCD com auxilio de um balde de 13 (treze) litros, o volume total retirado foi de 10% de cada pilha.
Os 10% retirados eram encaminhados para uma nova pilha para que houvesse a separação manual dos tijolos da areia e outros materiais. Depois de separados o material foi individualmente pesado, processo este que propiciou a verificação do peso específico de cada material. Na Figura 8 é mostrado detalhadamente o processo de separação das pilhas do RCD.

Se os resíduos estivessem acomodados em recipientes (tambores, latões, caçambas, jericas, entre outros).

 Se os entulhos estivessem dispostos em recipientes, o volume era medido tomando como base o volume do recipiente em que o entulho de encontrava, conforme a Figura 10. Os Principais recipientes encontrados nas obras foram às caçambas de 8m3, tonéis de 10m³, tambores de 5m³,  e jericas com capacidade de 0.128m³.

CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL ISO 14001

CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL ISO 14001

CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL ISO 14001
CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL ISO 14001
As empresas vêm aumentando os seus investimentos em gestão ambiental por exigências legais e por força de um mercado competitivo que valoriza cada vez mais a responsabilidade empresarial em relação ao meio ambiente. Foram analisadas três empresas no estado da Bahia para verificar as interfaces entre os processos de licenciamento ambiental, obrigatório por lei, e a certificação pela ISO 14001, ato voluntário por parte das empresas, buscando avaliar se a certificação ambiental da empresa poderia dispensar a renovação da sua licença ambiental pelo poder público. O sresultados da pesquisa mostraram que a certificação pela ISO 14001, por si só, embora represente um salto de qualidade na gestão ambiental da empresa, não pode substituir a renovação da Licença de Operação. Por outro lado, o estudo evidenciou que a atuação integrada das equipes de certificação e da Comissão Técnica de Garantia Ambiental, instrumento de autocontrole que integra o licenciamento ambiental no Estado da Bahia, traz resultados efetivos de melhoria no desempenho ambiental das empresas, permite uma melhor cooperação entre o órgão ambiental e o empreendedor, fortalece a co-responsabilidade ambiental, facilita o processo de renovação da licença ambiental e concede a empresa ampliação do prazo de validade da licença, caso esta demonstre para a instituição interesse em obter o beneficio, atendendo ao cumprimento das exigências legais estabelecidas na legislação ambiental.
1 Dissertação de Mestrado CDS/UnB/UEFS. Brasília, 2008; – “Sistema da Qualidade na Gestão
Ambiental”. TECBAHIA. V. 19. Salvador, 2004; – “Um certificado à qualidade da vida”. TECBAHIA. V. 16. Salvador, 2001.
O final do século X marcou transformações profundas em nível mundial, buscando a efetividade do desenvolvimento sustentável mediante processos produtivos mais limpos e incentivos ao uso de produtos sustentáveis.
Tal fato leva á busca pela qualidade ambiental mediante novas tecnologias, iniciativas voluntárias das organizações e modelos de gestão inovadores. Nesse contexto, surgem instrumentos voltados para a corresponsabilidade na gestão ambiental, a exemplo da certificação ambiental, e no caso da Bahia, a criação da Comissão Técnica de Garantia Ambiental (CTGA), no âmbito do licenciamento ambiental.
A certificação ambiental é uma ferramenta que permite às empresas estabelecer um processo contínuo de gerenciamento de seus impactos sobre o meio ambiente, podendo ter resultados efetivos na melhoria do desempenho ambiental das empresas e constituir-se em valioso instrumento para consolidação da corresponsabilidade envolvendo as empresas e os órgãos de controle ambiental. O processo de certificação motiva os funcionários para mudança de atitudes que se refletem no desenvolvimento de medidas preventivas, fortalecidas pela atuação da CTGA.
Diante desse panorama, foram analisadas as interfaces da certificação com o licenciamento ambiental no estado da Bahia, com base em estudo de caso contemplando três empresas: Suzano Papel e Celulose, Cetrel S/A – Empresa de Proteção Ambiental, e Empresa Baiana de Águas e Saneamento.
Procurou-se também saber se a certificação ambiental da empresa pela
ISO 14001 contribui para a melhoria da qualidade do ambiente e se poderia substituir a renovação da licença de operação pelo poder público, como é dada a articulação entre as equipes de certificação e de licenciamento ambiental, qual o papel da CTGA nesse processo, e finalmente se a certificação ambiental de uma empresa significa menor pressão sobre o estado na medida em que reduziria a necessidade por comando-controle.
No caso do estado da Bahia, a obrigação legal de criação da CTGA pela empresa possibilita o desenvolvimento de ações integradas com o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e concorre para aumento da co-responsabilidade empresarial na gestão ambiental. Verifica-se que o processo participativo ao envolver as equipes técnicas responsáveis leva aos resultados positivos na conduta ambiental da empresa, o que a credencia para uma participação efetiva no processo de renovação da sua licença.
Assim sendo, pode-se dizer que a certificação ambiental aliada à atuação da CTGA permite uma melhor cooperação entre o órgão ambiental e o empreendedor, no que se refere ao controle ambiental das suas atividades e consequentemente maior agilidade no processo de renovação da licença ambiental. Isto melhora as relações com o órgão ambiental, levando a uma menor necessidade das ações de fiscalização, na medida em que a empresa passa a agir preventivamente com base nos compromissos pactuados no processo da certificação e formalizados na sua política ambiental.
A análise das interfaces entre o processo de certificação pela ISO 14001 e o licenciamento ambiental mostrou que existe interação das equipes da CTGA e da certificação ambiental o que favorece uma gestão ambiental integrada. Foi constado que as reuniões sistemáticas de análise crítica, das quais participam representantes da CTGA, constituem importante mecanismo de articulação, um fórum de discussão e tomada de decisões sobre questões referentes ao SGA.
Com relação à qualidade do meio ambiente, o escopo da certificação contempla intervenções para melhorias do desempenho ambiental da empresa, não cabendo ao SGA o desenvolvimento de ações voltadas para programas sociais e ambientais, o que, nas empresas objeto deste estudo, é responsabilidade das CTGAs, às quais se pode atribuir uma contribuição para melhoria da qualidade ambiental no entorno das empresas.
O escopo da certificação inclui o cumprimento da legislação, o que, em princípio, leva a pensar que uma empresa para ter sua certificação pela ISO 14001 deve estar em dia com as condicionantes das licenças ambientais. Isto é fato, mas ao se analisar como é verificado vê-se que a auditoria solicita da empresa evidências do cumprimento das normas ambientais e se for constatado descumprimento de condicionantes da licença ambiental, evidencia-se a não conformidade e a empresa deve tomar as devidas providências, em prazo estabelecido. No entanto, a auditoria não obriga a que o órgão ambiental seja informado e esse só tomará conhecimento dos fatos mediante sua própria fiscalização ou então por informação da CTGA, a qual tem responsabilidade pela gestão ambiental na empresa, em permanente articulação com o órgão de controle ambiental.
Com base nas análises realizadas entende-se que, do ponto de vista do controle ambiental, a certificação da empresa pela ISO 14001, por si só, embora represente um salto de qualidade na gestão ambiental da empresa, não poderá substituir a renovação da Licença de Operação (LO) pelo poder público. Mesmo porque o escopo da certificação não abrange obrigatoriamente todas as áreas da empresa, podendo se ater apenas aos processos que se quer melhorar naquele momento.
Com esse estudo verificou-se que a iniciativa voluntária da certificação ambiental aliada à criação compulsória da CTGA representa um avanço efetivo e credencia a empresa a ser considerada de forma diferenciada pelo órgão ambiental, embora não deva substituir a atuação do poder público na renovação da Licença de Operação.
Diante disto, e considerando que na fase de renovação da Licença de
Operação o empreendimento está consolidado, que o seu histórico ambiental já é conhecido, que a implantação do Sistema de Gestão Integrada (SGI) / Sistema de Gestão Ambiental (SGA) contribui para agilizar e acompanhar o licenciamento, propõe-se que o Instituto do Meio Ambiente (IMA), órgão executor da política ambiental no estado da Bahia, passe a conceder o prazo de oito anos para validade da licença, limite máximo permitido em lei, em vez de cinco anos, como é usual, com o objetivo de incentivar as boas práticas ambientais e reduzir a demanda de processos de licenciamento ambiental.
Para ser beneficiada pela ampliação do prazo de validade na renovação da licença ambiental, a empresa deve atender às seguintes exigências: ter recertificado o seu Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pela norma ISO 14001 e contar com uma Comissão Técnica de Garantia Ambiental (CTGA) atuante; contar, em sua estrutura, com um mecanismo de integração das equipes da CTGA e do SGA, a exemplo de um grupo técnico ambiental, para garantir uma gestão participativa; acrescentar ao Relatório Técnico de Garantia Ambiental (RTGA) as seguintes informações:
a) resultados das auditorias internas e externas da certificação, as medidas adotadas para sanar a(s) Não Conformidade(s) identificadas, bem como as atas das reuniões de análise crítica, com as respectivas listas de presença; b) indicadores que evidenciem os resultados obtidos pela empresa na melhoria do seu processo produtivo, e c) demonstrativo da aplicação dos recursos financeiros em ações ambientais, no ano corrente e no ano anterior, relacionados às metas estabelecidas com base na política ambiental da empresa.
Possíveis benefícios decorrentes da criação do grupo técnico ambiental, com o objetivo de desenvolver ações integradas pautadas em um modelo de gestão compartilhada: fortalecimento do modelo de gestão ambiental adotado pela empresa; maior envolvimento em todos os níveis da empresa; reforço ao processo de melhoria contínua envolvendo a prevenção e solução dos problemas; integração e simplificação de procedimentos, e melhor qualidade da análise do desempenho ambiental da empresa.
Bahia pelo Decreto no 1.235 de 10/10/2008, que aprovou o Regulamento da Lei
Por fim, baseado nestas conclusões, a legislação ambiental do estado da no 10.431, de 20/12/2006, que institui a Política de Meio Ambiente e de Proteção à Biodiversidade do Estado da Bahia, define no seu Art. 219 a consolidação dos resultados desse estudo, conforme descrito abaixo:
“Art. 219 – As empresas que tenham implantado sistema de certificação ambiental, quando da renovação da Licença de Operação ou da Licença Simplificada serão beneficiadas com a concessão de prazo de validade 50% (cinqüenta por cento) maior que o da licença anterior.
Parágrafo único – Para obtenção do benefício a que se refere o caput deste artigo a empresa deverá demonstrar ao IMA o cumprimento das seguintes exigências:
I – ter recertificado o seu Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pela norma ISO 14001 e contar com uma Comissão Técnica de Garantia Ambiental (CTGA) atuante;
I – contar, em sua estrutura, com um mecanismo de integração das equipes da CTGA e do SGA, a exemplo de um grupo técnico ambiental, para garantir uma gestão participativa;
I – inserir no Relatório Técnico de Garantia Ambiental (RTGA) as seguintes informações: a) resultados das auditorias internas e externas da certificação, as medidas adotadas para sanar a(s) não conformidade(s) identificadas, bem como as atas das reuniões de análise crítica, com as respectivas listas de presença; b) indicadores que evidenciem os resultados obtidos pela empresa na melhoria do seu processo produtivo; c) demonstrativo da aplicação dos recursos financeiros em ações ambientais, no ano corrente e no ano anterior, relacionados às metas estabelecidas com base na política ambiental da empresa.”
FONTE: http://www.ebah.com.br/content/ABAAABifMAL/a-certificacao-ambiental-suas

07 fevereiro 2014

ÁREAS DE TRANSBORDO E TRIAGEM DE ENTULHOS DA CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO CIVIL

ÁREAS DE TRANSBORDO E TRIAGEM DE ENTULHOS DA CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO CIVIL





entulhos da costrução civil
MARKET ELETRÔNICA PARA UMA CENTRAL EM PASSOS - MG
                                
SERÁ QUE PASSOS VAI CONSEGUIR UM DIA TRANSFORMAR DESENHOS EM PROJETOS COMO ESTE A CIMA OS INTERIORES DE MINAS GERAIS PRECISÃO DE EXEMPLO COMO UMA ÁREA DE TRANSBORDO E TRIAGEM DE CONSTRUÇÃO CIVIL QUE É MAIS DE 50% DO LIXO GERADO EM UM MUNICÍPIO OU ENTÃO PAREM DE CONTRATAR PESSOAS QUE FICAM ELABORADOS LEIS QUE NUNCA SÃO USADAS DIMINUINDO ASSIM OS GASTOS PÚBLICOS ......DE UM JEITO OU DE OUTRO PODEMOS DIMINUIR OS GASTOS............UM EXEMPLO ABAIXO.............. VAMOS VIVER SONHANDO SEM PRATICA OU VAMOS EVOLUIR..........


Todos os dias, 11 mil toneladas de entulho vindo da construção civil são gerados na cidade deSão Paulo, segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O equivalente a praticamente todo o lixo produzido pelos paulistanos diariamente. Acomodados primeiramente em caçambas, muitas construtoras, depois, deixam o entulho às margens de rios, como o Tietê, em calçadas ou à beira de rodovias. Mas isso vai acabar.

A partir de 1º de janeiro de 2005, todas as construtoras do País deverão encontrar uma solução para o entulho que geram. Nesse dia, entra em vigor a Resolução nº 307 do Conama, que determina a coleta e destinação dos resíduos da construção civil.

"Pesquisas apontam que o volume de entulho em todo o Brasil é igual ao gerado pelo lixo doméstico, o que é muito. Na maioria, são resíduos que poderiam ser reaproveitados, mas que acabam na lata de lixo ou poluindo terrenos e rios", diz Paulo Sérgio de Castilho Muçouçah, diretor do Programa de Gerenciamento Ambiental e Territorial do Conama.

Estorvo – Quem mais sente o descaso de algumas construtoras que ainda não se enquadraram na determinação do Conselho Nacional do Meio Ambiente são os vizinhos de obras de grandes condomínios de prédios, que se vêem obrigados a conviver, na maioria das vezes, com o entulho largado em calçadas. Resultado: problema para estacionar, além do pó gerado pelo entulho.

No caso de pedestres, a situação é ainda pior. Em geral, blocos de concreto, areia e pedras impedem que a passagem seja feita pela calçada, obrigando o pedestre atravessar a via ou ter de andar pelo meio da rua. "Foram todos esses aspectos que levaram à criação da resolução, que pretende acabar com o problema reduzindo em pelo menos à metade o volume de entulho gerado pela construção civil, hoje", diz Maçouçah.

Reciclagem – Para atingir a esse objetivo, o Conama pretende incentivar a reciclagem degrande parte dos materiais. Tijolo, cimento, areia, concreto, madeira, por exemplo, terão, obrigatoriamente, de ser reciclados e reaproveitados em pavimentação da cidade ou em obras da própria construtora, já a partir de janeiro. Apenas os resíduos considerados de alto risco, caso das tintas e do óleo, poderão ser descartados na forma de entulho. Ainda assim, caberá à construtora fazer com que o entulho seja encaminhado a aterros, criados pelas prefeituras, para receber esse material.

A resolução não atinge apenas construtoras. Pessoas físicas, comércio, indústrias e empresas de caçambas de coleta de entulho também terão de se enquadrar às normas em janeiro, se gerarem entulho de reforma ou construção.

Punição – A resolução do Conama não prevê a aplicação ou valor de multa para quem não cumprir a resolução. Por outro lado, caberá ao Ministério Público fiscalizar e fixar um novo prazo para a construtora, estabelecimento ou pessoa física se ajustar. "Isso não impede que a questão seja discutida na Justiça, dependendo do tipo e da quantidade do entulho abandonado pela empresa", diz Maçouçah.

De acordo com o Conama, cabe às construtoras fazer a coleta seletiva dos resíduos, reaproveitar o que for possível entre os materias descartados e contratar uma empresa de caçamba ou levar o entulho inutilizado a uma área da prefeitura capacitada para receber esse tipo de material.

Construtoras se mexem e criam programas de reaproveitamento

Algumas construtoras já se anteciparam à resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e criaram programas de reciclagem dentro do canteiro de obras.

A Gafisa, uma das maiores e mais antigas do País, investiu principalmente na escolha de materiais que evitam o desperdício em obras e, com isso, o acúmulo de entulho. Entre 70% e 80% das novas construções da empresa utilizam dry wall (gesso acartonado), que substitui tijolos e cimentos, na construção de paredes.

De acordo com o diretor de Operações da Gafisa, Mário Rocha Neto, há dez anos as obras geravam um volume de resíduos muito maior do que hoje, justamente pelo tipo de material escolhido. Para ele, a maior conscientização de empresas e dos próprios funcionários em relação a desperdícios e uso racional de materiais, além da evolução da chamada construção seca, permitiram uma redução de pelo menos 50% do entulho gerado nos canteiros de obra nesse período.

Reconhecimento – A Setin Engenharia é outra construtora que adota há mais de um ano práticas de gestão ambiental, que já garantiram à empresa a certificação ISO 14001, referente à preocupação ambiental.

No programa, é analisado desde o terreno; o que será preciso para demolir, antes de iniciar a obra; resíduos industriais enterrados; e execução da obra com economia de água, energia elétrica e menos entulho gerado.

Um exemplo de preocupação ambiental da construtora foi a obra do condomínio residencial Villaggio Maia, localizado no município de Guarulhos, Estado de São Paulo.

Uso  Quando vistoriaram a área destinada à construção do condomínio, os engenheiros da Setin encontraram, em bom estado, o piso da antiga indústria que ocupava a área. O caminho convencional seria a demolição do enorme pavimento de concreto. Só que técnicos da empresa concluíram que o piso industrial era uma "verdadeira jazida mineral", ótima para ser reciclada. O piso todo, cerca de 27 mil metros quadrados de área ou um volume de 12 mil metros cúbicos de concreto formado por pedra, cimento, areia e aço foi reaproveitado.

Do piso, 40% acabou servindo de matéria-prima para a produção de blocos, lajes e outras peças pré-moldadas de concreto (lajes, muros, blocos de fundação, contra marcos e apliques de fachada), serralheria e central de telhado.

O reaproveitamento do piso em pedra permitiu à empresa uma economia de mais de 1.200 viagens necessárias para transportar o mesmo volume em pedra caso a empresa não houvesse recorrido à reciclagem, além de impedir uma retirada de 12 mil metros cúbicos da jazida natural.

Parceria saudável – A Klabin Segall, por sua vez, apesar de apenas fazer a incorporação de empreendimentos imobiliários, só trabalha em parceria com construtoras que já tenham implantado um programa de uso racional de material e que demonstrem ter uma preocupação ambiental. Seja na destinação correta do entulho ou na utilização de materiais recicláveis.

Resolução prevê espaços próprios para receber materiais

Antes das construtoras, foram as prefeituras que tiveram de se adequar às regras do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Desde o dia 1º de janeiro deste ano deveriam ter criado espaços para receber entulho da construção civil e zelar para que as obras públicas já estivessem adequadas aos programas de reciclagem previstos na resolução. Só que, até agora, segundo o Conama, poucos municípios criaram planos de gerenciamento de resíduos. "A situação é pior em municípios de pequeno porte. Somente grandes capitais cumpriam o que determina a resolução. Até Brasília ainda não está totalmente apta", diz o diretor.

Segundo levantamento do Conama, a Prefeitura de São Paulo é uma das poucas que já criaram programas de triagem de materiais da construção civil, além de aumentar o número de áreas para deposição regular de resíduos de pequenos e grandes geradores.

O município criou um programa de coleta que prevê implantação e operação de uma rede de Áreas de Transbordo e Triagem de Entulho, as chamadas ATT's. Por enquanto a prefeitura já inaugurou o transbordo de Itatinga e o aterro de Itaquera, capacitados para receber todo o entulho gerado pelas empresas da construção civil.

Além da rede de transbordos, a prefeitura prevê a instalação de EcoPontos em áreas públicas de cada um dos 96 distritos da cidade. Dois EcoPontos já foram entregues: um na Mooca e outro em Pinheiros.


Fonte: Adriana Gavaça (Diário do Comércio - SP)