Aqui serão demostradas técnicas
para se cuidar das estradas rurais de modo sustentável, para que as estradas
rurais cumpram seu importante papel de integração comunitária, principalmente,
nas áreas rurais, com o menor impacto negativo ao meio ambiente, é essencial se
implementar essas práticas que promove a proteção ambiental. A seguir, serão
mostradas as práticas que visam reduzir ou eliminar os riscos de erosão.
Localização e traçado das
estradas
A abertura das estradas
rurais, ou sua readequação, devem, sempre que possível, atender critérios de
localização e de traçado que busquem observar os menores desníveis ou inclinações
do terreno. Além de seguir as curvas de nível e/ou os divisores de água com
relevo plano à suave ondulado como na imagem abaixo
É importante frisar que o
traçado das estradas deve oferecer a melhor visibilidade para os usuários, sem
curvas muito fechadas, nem aclives e declives acentuados. No caso de ocorrer
situações semelhantes às descritas, a sinalização rodoviária é fundamental para
se evitar riscos de acidentes. Essa ser feita com a utilização de placas
confeccionadas ou por meio do uso de arborização, com espécies adaptadas para
esse fim, como eucalipto, palmeiras, pinheiros, bambu ou espécies nativas. O
uso de espécies arbustivas e/ou arbóreas na sinalização de estradas rurais
também contribui para o paisagismo rural como da imagem.
As estradas rurais devem ser construídas seguindo as recomendações técnicas para cada situação ambiental, de forma a considerar a segurança dos usuários e a manutenção do tráfego sem interrupções como da imagem abaixo. Essas poderiam ser provocadas por problemas de atoleiro no leito das estradas, de deslizamentos ou de inundações em algum ou vários trechos.
Taludes
A conformação dos taludes
laterais, seja de corte ou de aterro, deve seguir as recomendações técnicas
quanto à altura e à inclinação para não sofrerem o risco de desmoronamento,
além da necessidade de serem vegetados, o mais rápido possível.
Essa regra serve para os
taludes que serão construídos ou para aqueles que necessitarem de
reconformação.
Todos os taludes simples, isto
é, sem patamares, devem possuir um sistema de drenagem superficial no topo
(crista) e na base (pé do corte ou sarjeta), para escoamento da água da chuva.
Os taludes maiores, tanto em altura como em inclinação, que necessitarem de
conformação com a presença de patamares, devem ter sistemas de drenagem
superficial na junção do patamar com a base do talude (pé do corte ou sarjeta),
imediatamente superior a ele, para sua drenagem.
Os taludes devem ser
revestidos, o quanto antes, com alguma tecnologia vegetativa que esteja
descrita no projeto e atenda as condições ambientais e de disponibilidade de
sementes e de mudas.
Algumas formas de revegetação
de taludes são: hidrossemeadura, placas de grama, leguminosas
herbáceas/arbustivas, plantas espontâneas, capim vetiver, manta biológica,
cobertura morta (apara de grama ou capim), entre outras.
Sempre que possível
privilegiar a regeneração natural da vegetação nativa herbácea, arbustiva e/ou
arbórea no recobrimento do talude, principalmente, no período de manutenção da
estrada rural.
É muito importante que as
canaletas de drenagem superficial tenham sua lateral vegetada o mais rápido
possível, para que o escorrimento da enxurrada não descalce ou assoreie a
canaleta e comprometa sua estrutura e funcionamento.
Na crista do talude, e até
mesmo na sua superfície inclinada, devem ser implantados cordões vegetados, de
preferência com capim vetiver.
Sistemas de drenagem
superficial e subterrânea (águas pluviais ou córregos e nascentes).
A drenagem que atenderá a uma
determinada estrada deve ser dimensionada para que todas as estruturas de
recepção, escoamento, armazenamento e distribuição mantenham sua eficácia nas
estações do ano, sem comprometer a estrutura da estrada, a circulação na via e
a segurança dos usuários. Uma má drenagem pode gerar fortes enxurradas para o
leito da estrada.
Portanto, é muito importante o conhecimento dos tipos de solos e de sua hidrologia, além do clima na região, para o conhecimento da velocidade de infiltração da água no solo, do nível do lençol freático, dos índices pluviométricos e da evapotranspiração. De forma a visar, o dimensionamento das estruturas mecânicas e vegetativas do sistema de drenagem.
Os canais de drenagem em
estradas rurais, como sarjetas, valetas de proteção e bacias de retenção
(barraginhas), são essenciais para coletar e desviar a água da chuva,
prevenindo a erosão, a saturação do solo e a formação de buracos. Eles garantem
a durabilidade do leito, aumentando a vida útil da estrada com técnicas
sustentáveis como o uso de cascalho, pedras ou até bambu.
Saídas laterais na estrada (bueiros/caixas dissipadoras/caixas de retenção)
As estruturas artificias de
drenagem superficial ou subterrâneas conduzem a água/sedimentos recolhidos na
plataforma da estrada para pontos estratégicos de escoamento e distribuição, como
bueiros e caixas de retenção, que escoam para saídas nas áreas adjacentes à
estrada. Essas saídas devem ser protegidas para se evitar a erosão.
Uma prática eficiente é
utilizar cordões de pedra associados com capim vetiver ou outra vegetação que
cumpra a mesma função de reter sedimentos e reduzir a força do fluxo drenado.
Também podem ser utilizadas outras barreiras físicas construídas com diversos
materiais inertes, como paliçadas de bambu ou de eucalipto, pneus descartados
ou sacos com solo ou solo/cimento.
Bigodes
São saídas laterais na estrada
que escoam a água drenada superficialmente para áreas específicas com
capacidade de recepção, armazenamento e infiltração natural pelo solo. Podem
estar associados à bacia de retenção, ou barraginhas, e terraços agrícolas.
Lombadas
São barreiras quase
perpendiculares ao sentido longitudinal na estrada, no formato de ondulações,
que visam barrar o escoamento da água da chuva que escorre pelo leito. Assim, a
água é direcionada, de forma ordenada para estruturas mecânicas de receptação,
armazenamento e infiltração, como terraços e bacias de retenção ou, ainda,
áreas com vegetação capaz de cumprir a mesma função das estruturas mecânicas
(mata, floresta, bambus, capineira).
O espaçamento das lombadas e
suas saídas laterais devem, sempre que possível, estar associadas à localização
das estruturas mecânicas e vegetativas citadas acima. Além disso, a sua altura
não deve prejudicar o tráfego nem causar danos aos veículos. É importante ter
atenção para que essa altura não permita que a água passe sobre a lombada, o
que pode vir a comprometer sua eficácia.
Terraços e bacias de retenção
São estruturas mecânicas
construídas com e no solo, utilizadas para o ordenamento dos escoamentos
superficiais e para o armazenamento das águas pluviais que não infiltram em
áreas de lavouras e de pastagem ou são drenadas pela estrada.
Os terraços utilizados nas
áreas de plantio são construídos levando em consideração fatores como tipo de
solo, declividade do terreno, uso e cobertura do terreno, sistemas de produção (com
ou sem práticas conservacionistas) e precipitação pluviométrica da região.
As bacias de retenção, ou
barraginhas, tem suas dimensões determinadas levando em conta a área de
captação na área de plantio ou da estrada (quando é construída apenas para esse
fim) e a precipitação (volume e frequência).
A integração de lombadas e de terraços, como tecnologias corretas para a conservação da estrada e suas áreas marginais com atividade agropecuária como na imagem.
Bacias de retenção (ou barraginhas) em estradas rurais são estruturas de engenharia (escavações) projetadas para captar o escoamento superficial de águas pluviais. Elas reduzem a velocidade da enxurrada, retêm sedimentos, evitam a erosão do solo e inundações a jusante, além de promoverem a infiltração no solo, recarregando lençóis freáticos.






