O término da construção da primeira usina que deverá produzir energia elétrica a partir do lixo deveria ter ficado pronto para 2020 em Boa Esperança (MG). Segundo Furnas Centrais Elétricas, em razão de alterações e ajustes técnicos necessários durante o desenvolvimento do projeto, o cronograma inicial previsto precisou ser alterado.
Foto - Furnas Centrais Elétricas
Normalmente, o lixo é queimado e o vapor gerado é usado para movimentar
as turbinas. Mas, neste caso, será usado outro tipo de tecnologia. “Esse é um
projeto que usa a tecnologia de gaseificação, que é bastante diferente da
incineração. A taxa de poluentes é muito baixa, é uma tecnologia que a gente
entende que consegue dar destino para todos os resíduos sólidos de uma maneira
geral e através do gás produzido, gerar a energia elétrica. O lixo é um
combustível para o nosso processo a partir de agora. Esse processo já foi
validado e agora vamos partir para uma fase de tentar uma escala maior, com
volumes maiores, se aproximando de um modelo real, com toda a dinâmica de
coleta e catação de resíduos”, afirma Nélson Araújo dos Santos, gerente de
pesquisa e desenvolvimento de Furnas
A usina de gaseificação de resíduos sólidos em Boa Esperança
(MG), um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento de R$ 32 milhões liderado pela
Furnas, está parcialmente paralisada. As obras alcançaram cerca de 70% de
conclusão, mas foram suspensas devido a impasses e pendências financeiras com a
estatal.
Conforme Furnas, a construção da usina se encontra em fase de finalização da execução das obras civis.
"Por se tratar de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, ajustes no andamento do projeto são comuns conforme os estudos avançam e o projeto é desenvolvido. O cronograma foi alterado, com possibilidade de finalização da obra em 2020", informou a assessoria de comunicação de Furnas ao G1.
Os testes, que estavam previstos para ser realizados em fevereiro deste ano, agora só deverão ser feitos após a conclusão da obra.
Área onde usina será construída tem quase 8 mil metros e fica ao lado do lixão em Boa Esperança
"Desta forma, somente após a entrega e a montagem de todos os equipamentos do Galpão de CDR; Prédio de Gaseificação, Planta de Geração e Estação de Tratamento de Efluente, ocorrerão as etapas de testes e de comissionamento de toda a planta da Usina Termoquímica de Boa Esperança/MG", informou a empresa.
Somente após todos os testes, os responsáveis vão saber se a produção de energia do gás é viável e se existe ou não a geração de resíduos.
"Apesar da importância deste empreendimento, devemos sempre lembrar que trata-se de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento. Por esse motivo, a geração efetiva de energia, a partir do gás de síntese obtido através do processo de gaseificação do CDR (Combustível Derivado de Resíduos Sólidos), cuja matéria prima é o lixo 'in natura", somente poderá ser confirmada após a realização de todos os testes e comissionamento da Usina", informou a empresa.
1ª usina do tipo no país
Com investimento de R$ 32 milhões, o projeto deverá gerar 1MW, o que corresponde a 25% de toda energia utilizada no município de Boa Esperança.
As obras da usina começaram em abril de 2018. O projeto é experimental, mas se der certo, poderá ser solução para o problema do lixo em muitas cidades brasileiras. A área tem quase oito mil metros e fica bem ao lado do lixão da cidade. A usina será a primeira do país com a produção de energia utilizando o gás gerado da transformação do lixo.
Segundo Furnas, a energia será gerada por meio de um processo que vai utilizar a gaseificação a leito fluidizado, uma tecnologia 100% nacional, que emite menos poluentes que outros processos já existentes. Com a instalação da usina, todo o lixo depositado no aterro sanitário da cidade e os novos resíduos que forem recolhidos no município servirão de combustível para a geração de energia elétrica.
Ao contrário do que é determinado pela lei de resíduos sólidos, criada em 2010, Boa Esperança é uma das cidades brasileiras que ainda possuem lixão. Na cidade, são produzidas diariamente 40 toneladas de lixo. A meta da usina é utilizar todo o volume gerado por dia e acabar com o que foi acumulado ao longo de 15 anos nesse espaço.
A equipe responsável pela construção e manutenção da usina garante que as 23 pessoas que trabalham no lixão serão incorporadas à operação da usina.
Fonte: Por Lucas Soares, G1 Sul de Minas



o que ouve com a conclusão da empresa?
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