Esta norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) classifica os resíduos de forma geral em Classe I (perigosos) e Classe II (não perigosos). Embora a CONAMA 307 seja específica para RCC, a NBR 10.004 é a base legal, e resíduos Classe A geralmente se enquadram como Classe II B (inertes) ou II A (não inertes) se não contaminados.
A NBR 15116 regulamenta o uso de agregados reciclados em argamassas e concretos, inclusive para fins estruturais, segundo revisão de 2021.
Gestão e Reutilização
A legislação brasileira incentiva a segregação dos resíduos Classe A na origem para facilitar a reciclagem. Esses materiais podem ser processados e usados como agregados em novas obras. É importante que os geradores de RCC elaborem um Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) para garantir o manejo adequado dos resíduos.
Resultam em produtos como brita reciclada, areia reciclada, pó de pedra e pedrisco reciclado.
Aplicações dos agregados reciclados
Agregados reciclados Classe A, derivados de concreto, argamassa e cerâmica de obras, são usados em pavimentação (base/sub-base de estradas rurais, revestimento), terraplanagem (aterros, reaterros), drenagem (valas), construção de gabiões, argamassas e concretos não estruturais, e como lastro ou para conformação de vias urbanas e rurais, reduzindo custos e impactos e drenos, chapiscos, argamassas de assentamento, solo cimento, calçadas, aterros e reforço de subleito.
Como funciona o processo da reciclagem dos RCC classes A
O processo de reciclagem dos Resíduos de Construção Civil (RCC) Classe A envolve a coleta, triagem e trituração e peneiramento dos materiais para a produção de agregados reciclados, que servem como matéria-prima para novas obras.
A gestão começa no canteiro de obras, com a separação correta dos resíduos de Classe A dos demais (Classes B, C e D). O gerador do resíduo é responsável por descartá-lo em locais apropriados, como Ecopontos ou empresas certificadas.
O processo segue uma série de passos coordenados, desde a geração do resíduo até sua transformação final em um novo produto:
Geração e Descarte Adequado: A gestão começa no canteiro de obras, com a separação correta dos resíduos de Classe A dos demais (Classes B, C e D). O gerador do resíduo é responsável por descartá-lo em locais apropriados, como Ecopontos ou empresas certificadas.
Coleta e Transporte: Os resíduos separados são coletados por transportadoras licenciadas e levados para Áreas de Reciclagem de Resíduos da Construção Civil (ARRCC) ou usinas de reciclagem.
Triagem (Manual e Mecânica): Na usina, os materiais passam por uma triagem para remover impurezas e outros resíduos que possam ter se misturado, como plásticos, metais ou madeira. Isso garante a qualidade do produto final.
Trituração e Beneficiamento (Britagem): Esta é a etapa central do processo. Os resíduos pétreos (pedras, concreto, cerâmica) são colocados em trituradores (britadores móveis ou fixos) que os transformam em partículas menores, o agregado reciclado.
Peneiramento e Classificação: O material triturado é peneirado para separar os agregados por granulometria (tamanho), resultando em diferentes tipos de produtos (areia, brita 0, brita 1, etc.).
Valorização e Aplicação (Reutilização): O agregado reciclado é utilizado como matéria-prima em diversas aplicações, como em fundações, sub-bases e bases de pavimentação, calçadas, artefatos de concreto não estrutural e obras de terraplanagem.
Os benefícios da reciclagem dos entulhos classes a
A reciclagem de entulhos classe A oferece benefícios ambientais, econômicos e sociais significativos, como a redução do consumo de recursos naturais, a diminuição de custos e a preservação da vida útil de aterros
Benefícios Ambientais
Conservação de recursos naturais: A reciclagem de materiais como concreto, alvenaria e solos reduz a necessidade de extrair novas matérias-primas virgens de pedreiras e jazidas.
Redução do volume em aterros: Desvia uma grande quantidade de resíduos (que representam uma parte substancial do total de resíduos gerados) de aterros sanitários e depósitos clandestinos, prolongando a vida útil dessas instalações e prevenindo a contaminação do solo e lençóis freáticos.
Economia de energia e água: O reprocessamento de materiais reciclados consome menos energia e água em comparação com a produção de novos materiais a partir de matérias-primas virgens.
Diminuição da poluição: Contribui para a redução da poluição atmosférica e hídrica, bem como das emissões de gases de efeito estufa associadas à extração e transporte de materiais naturais.
Benefícios Econômicos
Redução de custos: O uso de agregados reciclados pode gerar uma economia de até 50% nos custos de uma obra, em comparação com materiais naturais, devido ao menor preço do material reciclado e à redução dos custos com transporte e taxas de descarte em aterros.
Criação de novos produtos e mercados: Os resíduos classe A processados dão origem a novos produtos, como brita, pedrisco, areia, blocos de vedação, guias e pisos intertravados, que podem ser usados em bases e sub-bases de pavimentação, obras de saneamento e drenagem, entre outras aplicações.
Geração de emprego e renda: A indústria de reciclagem de resíduos da construção civil impulsiona a economia local e cria novos postos de trabalho nas usinas de reciclagem.
Benefícios Sociais
Promoção da sustentabilidade: Alinha os projetos de construção civil com práticas mais sustentáveis e a economia circular, o que pode melhorar a imagem e reputação das empresas (inclusive para certificações como LEED).
Saúde pública e segurança: A gestão adequada desses resíduos evita o descarte irregular em áreas públicas, o que minimiza riscos à saúde e segurança da população.
Para garantir a qualidade do agregado reciclado, é fundamental que os resíduos classe A (alvenarias, concreto, argamassas e solos) sejam separados corretamente na origem e não misturados com outros tipos de resíduos contaminantes, como gesso ou materiais orgânicos.
A reciclagem de entulhos Classe A é uma prática fundamental para a sustentabilidade do setor da construção civil, transformando um problema ambiental em uma solução ecológica e economicamente viável. Fator vital para a construção sustentável e economia circular.


