15 junho 2012

CULTURA UM CONCEITO ANTROPOLOGICO E SOCIOLÓGICO LIGANDO A SUSTENTABILIDADE



A sustentabilidade, sob as óticas da cultura antropológica e sociológica, transcende a mera preservação ambiental, focando na intrínseca relação entre as culturas humanas, as estruturas sociais e a capacidade de garantir a sobrevivência saudável das futuras gerações. Ambas as disciplinas destacam que as crises socioambientais estão ligadas a comportamentos e sistemas sociais, e não apenas a fatores técnicos ou naturais.

A sustentabilidade, sob as óticas da cultura antropológica e sociológica, transcende a mera preservação ambiental, focando na intrínseca relação entre as culturas humanas, as estruturas sociais e a capacidade de garantir a sobrevivência saudável das futuras gerações. Ambas as disciplinas destacam que as crises socioambientais estão ligadas a comportamentos e sistemas sociais, e não apenas a fatores técnicos ou naturais. Cultura, em antropologia e sociologia, é o conjunto de conhecimentos, crenças, valores, costumes, leis e hábitos aprendidos e compartilhados por um grupo social, moldando sua visão de mundo e comportamento, transcendendo a biologia para explicar a diversidade humana e a organização social, atuando como uma lente que dá significado à realidade e permitindo a transmissão cumulativa de ideias e tecnologias ao longo do tempo, diferenciando sociedades. ambas as ciências humanas são ferramentas cruciais para entender que a sustentabilidade é um problema socioambiental complexo que requer mudanças profundas nas relações entre as pessoas e destas com o meio ambiente, e não apenas a adoção de tecnologias limpas.


ANTROPOLOGIA E SUAS TEORIAS SOBRE AS CULTURAS

Cultura, em antropologia e sociologia, é o conjunto de conhecimentos, crenças, valores, costumes, leis e hábitos aprendidos e compartilhados por um grupo social, moldando sua visão de mundo e comportamento, transcendendo a biologia para explicar a diversidade humana e a organização social, atuando como uma lente que dá significado à realidade e permitindo a transmissão cumulativa de ideias e tecnologias ao longo do tempo, diferenciando sociedades. ambas as ciências humanas são ferramentas cruciais para entender que a sustentabilidade é um problema socioambiental complexo que requer mudanças profundas nas relações entre as pessoas e destas com o meio ambiente, e não apenas a adoção de tecnologias limpas.

CULTURA SUSTENTÁVEL NA ANTROPOLOGIA

Na Antropologia, cultura é o conceito central que define todo o complexo de saberes, crenças, arte, moral, leis, costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo ser humano como membro de uma sociedade, sendo aprendida e transmitida, não genética, e abrangendo tanto aspectos materiais (objetos, construções) quanto imateriais (valores, rituais, linguagem). É o que diferencia os grupos humanos, mediando sua relação com o mundo e sendo moldada por escolhas, história e interações sociais, não havendo hierarquia entre elas.

Bronislaw Malinowski, tocado pelo "nojo à civilização", dedicou-se ao estudo das sociedades "primitivas," imbuído do objetivo de "apreender o ponto de vista do nativo, sua relação com a vida, compreender a sua visão de mundo." Malinowski procedeu a explicação do todo social a partir da construção de unidades significativas de análise, que seriam compostas por elementos representativos do todo e, assim, ulteriormente, encadeadas na análise. A essas unidades ele chamou isolats, e utilizou as instituições como objeto de análise. Para ele, as necessidades biológicas (primárias), determinavam a existência de outras necessidades: as necessidades culturais (secundárias).

 A cultura seria o aparato instrumental que inicialmente estaria ligado à satisfação das necessidades biológicas, e à medida em que houvesse o desenvolvimento, o crescimento da população e a diferenciação estrutural, ela passaria a constituir-se num meio próprio.

 Os padrões culturais determinariam o surgimento do estatuto, que é o liame que se refere a uma ligação, vínculo, laço ou conexão entre as instituições e pessoas.

Na Antropologia, cultura é o conceito central que define todo o complexo de saberes, crenças, arte, moral, leis, costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo ser humano como membro de uma sociedade, sendo aprendida e transmitida, não genética, e abrangendo tanto aspectos materiais (objetos, construções) quanto imateriais (valores, rituais, linguagem). É o que diferencia os grupos humanos, mediando sua relação com o mundo e sendo moldada por escolhas, história e interações sociais, não havendo hierarquia entre elas.  Bronislaw Malinowski, tocado pelo "nojo à civilização", dedicou-se ao estudo das sociedades "primitivas," imbuído do objetivo de "apreender o ponto de vista do nativo, sua relação com a vida, compreender a sua visão de mundo." Malinowski procedeu a explicação do todo social a partir da construção de unidades significativas de análise, que seriam compostas por elementos representativos do todo e, assim, ulteriormente, encadeadas na análise. A essas unidades ele chamou isolats, e utilizou as instituições como objeto de análise. Para ele, as necessidades biológicas (primárias), determinavam a existência de outras necessidades: as necessidades culturais (secundárias).   A cultura seria o aparato instrumental que inicialmente estaria ligado à satisfação das necessidades biológicas, e à medida em que houvesse o desenvolvimento, o crescimento da população e a diferenciação estrutural, ela passaria a constituir-se num meio próprio.   Os padrões culturais determinariam o surgimento do estatuto, que é o liame que se refere a uma ligação, vínculo, laço ou conexão entre as instituições e pessoas.


No processo de análise da realidade, Malinowski considerou fundamentais três procedimentos metodológicos para a antropologia, conforme detalhado na introdução de sua obra seminal Argonautas do Pacífico Ocidental:

Organização e sistematização de dados concretos (o "esqueleto") - O etnógrafo deve coletar dados detalhados e concretos sobre a estrutura da sociedade, como genealogias, mapas, e regras sociais, utilizando métodos sistemáticos e registrando tudo meticulosamente.

Observação participante (a "carne e sangue") - É crucial que o pesquisador viva imerso na comunidade por um longo período, participando das atividades diárias e interagindo diretamente com as pessoas (não apenas a partir da varanda da missão ou posto do governo). Isso permite observar o "imponderável da vida real" e os comportamentos cotidianos, preenchendo a estrutura social com a vida real e as interações.

Captura da "visão do nativo" (o "espírito") - O objetivo final é compreender o ponto de vista das pessoas estudadas, seus sentimentos, pensamentos e a lógica interna de sua cultura. Isso requer aprender a língua nativa e registrar expressões, narrativas e explicações dos próprios indivíduos (o corpus inscriptionum), para ir além da mera descrição e captar o significado cultural.

Malinowski argumentava que esses procedimentos, combinados com um objetivo científico claro e formação teórica, levariam a uma compreensão holística e aprofundada da cultura, quebrando com as abordagens de "antropologia de gabinete" da época.

 Para ele, através da observação do comportamento dos nativos seria captado os "imponderáveis da vida real" - os elementos não abarcados pela análise estatística e que são "a carne e o sangue" do arcabouço teórico da pesquisa.

A antropologia de Malinowski dava maior visibilidade aos sujeitos integrantes da cultura em estudo, como forma de garantir a legitimidade científica da investigação. O abandono de pré-noções, para ele seria fundamental:

"Conhecer bem a teoria científica e estar a par de suas últimas descobertas não significa estar sobrecarregado de ideias preconcebidas.

 Se um homem parte numa expedição decidido a provar certas hipóteses e é incapaz de mudar seus pontos de vista constantemente, abandonando-os sem hesitar ante a pressão da evidência, sem dúvida seu trabalho será inútil."

Radcliffe-Brown, também funcionalista, propunha a combinação das tarefas de pesquisa de campo e de gabinete. Ele apontava a necessidade de estudos comparativos sistemáticos para que a Antropologia não se tornasse mera etnografia. O método indutivo, proposto também por ele, possibilitaria o estabelecimento de regularidades e leis gerais. Ele enfatiza o aspecto funcional de costumes como o rapto da noiva, hostilidade intergrupal, entre outros, baseando-os na ideia de oposição que fundaria sociedades divididas em metades exogâmicas.

 Radcliffe-Brown chegou à explicação histórica de cada uma dessas sociedades em particular e, consequentemente, ao problema do totemismo e da natureza e funcionamento das relações e estruturas sociais baseadas em "oposição", que são fenômenos gerais. Dessa forma, ele articulou os métodos histórico e comparativo (aliás, numa articulação que ele propunha aos estudos antropológicos em geral), considerando, entretanto, que o método histórico seria específico da Etnologia e o método comparativo mais afeito à Antropologia Social.

Radcliffe-Brown, que também considerava de suma importância à pesquisa de campo, rejeitava o uso do conceito de cultura em sua análise, pois o considerava desprovido do caráter empírico necessário à análise social.

A abstração que o termo sugere seria substituída pela realidade empírica das estruturas sociais, que eram o seu objeto de estudo.

Para ele, o indivíduo adquire relevância analítica quando inserido nessa rede de relações, desempenhando os seus diversos papéis. Aliado a esse conjunto de relações que se dão entre os indivíduos, está o conceito de forma estrutural.

Para Radcliffe-Brown, a forma estrutural seria o padrão das relações que ocorrem na estrutura, tendo como maior característica à constância do mesmo. Ele não nega mudanças na forma estrutural, porém, admite que elas ocorram de uma maneira mais lenta. A totalidade fica, assim melhor explicada na teoria de Radcliffe-Brown, pois possibilita a visualização da mesma através dos conceitos de estrutura e forma estrutural.

Com a ideia de coerência funcional, ele exprime a necessidade de que os elementos estejam interligados por uma mutualidade de relações que, se não forem observadas, levam ao surgimento de conflitos.

Vê-se que o funcionalismo possibilitou o diálogo entre pesquisador e pesquisado a partir da adoção de uma postura flexível e menos dogmática perante o seu objeto de estudo, porém, nota-se que a utilização do relativismo como princípio orientador proporcionava certo distanciamento e faz com que o investigador, ao abordar o "nativo", estabeleça uma relação na qual o entrevistado realiza o papel de mero informante, sem que haja uma troca de experiências visando ao conhecimento e questionamento culturais mútuos.

 Esse procedimento decorre do fato de que para os relativistas, as culturas são válidas em si mesmas, consequentemente, não há porque questionar as normas e valores nela imbricados. A postura do investigador que se utiliza o relativismo é a de um mero coletor de informações. O relativismo, a partir da sua proposta de validade das práticas inerentes às várias culturas, inspirada no alemão Herder, não dá margem a uma interação subjetiva efetiva entre os envolvidos na relação e não possibilita a disseminação de valores universais como a liberdade e a igualdade.

CULTURA SUSTENTÁVEL: UM CONCEITO SOCIOLÓGICO

A sociologia analisa a sustentabilidade a partir das relações sociais, estruturas de poder e sistemas socioeconômicos, como o capitalismo e o consumo em massa, que geram degradação ambiental e desigualdades.

Cultura não é um setor da sociedade, mas um fenômeno amplo, presente em toda a vida social do homem. Na sociologia, cultura é um conceito amplo que se refere ao conjunto de saberes, crenças, costumes, artes, leis, moral, hábitos e todas as capacidades aprendidas e transmitidas socialmente que moldam o comportamento, o modo de vida e a visão de mundo de um grupo humano, distinguindo o que é aprendido (cultural) do que é natural. É o "cultivo" de um povo, transmitido através da interação social, sendo fundamental para a identidade e organização de uma sociedade, e se manifesta tanto em aspectos materiais (objetos, arquitetura) quanto imateriais (língua, rituais, culinária).

A sociologia analisa a sustentabilidade a partir das relações sociais, estruturas de poder e sistemas socioeconômicos, como o capitalismo e o consumo em massa, que geram degradação ambiental e desigualdades.  Cultura não é um setor da sociedade, mas um fenômeno amplo, presente em toda a vida social do homem. Na sociologia, cultura é um conceito amplo que se refere ao conjunto de saberes, crenças, costumes, artes, leis, moral, hábitos e todas as capacidades aprendidas e transmitidas socialmente que moldam o comportamento, o modo de vida e a visão de mundo de um grupo humano, distinguindo o que é aprendido (cultural) do que é natural. É o "cultivo" de um povo, transmitido através da interação social, sendo fundamental para a identidade e organização de uma sociedade, e se manifesta tanto em aspectos materiais (objetos, arquitetura) quanto imateriais (língua, rituais, culinária).


A cultura pode ser material e não material.

 A cultura material consiste em artefatos e objetos em geral. Um machado tosco, feito com lasca de pedra, é, numa sociedade não letrada, uma expressão de sua cultura material; um avião, na nossa sociedade, é componente da parte material da nossa cultura.

 A cultura não material compreende o domínio das ideias: a ética, as crenças, os conhecimentos, as técnicas, os valores, as normas etc. A distinção entre as duas deve ser encarada como uma classificação puramente nominal, pois na realidade são domínios interdependentes da cultura total. O violino é um elemento da cultura material, mas não poderia ser desenvolvido sem o conhecimento científico do homem.

O termo cultura segundo o Novo Dicionário da língua portuguesa significa “ato, efeito ou modo de cultivar. Complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característica de uma sociedade"

 Porém no final do século XVIII e no princípio do século XIX, o termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilization referia-se principalmente às realizações materiais de um povo. Mais tarde Edward Tylor (1832-1917) sintetizou os dois termos no vocábulo inglês Culture, que "tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”.

Há muito se estuda o comportamento dos animais, inclusive o comportamento do homem, com a finalidade de entender o que o conduzem as atividades cotidianas e, as relações entre eles na formação dos grupos e na relação entre outros grupos. Confúcio (VX séc. a C.) enunciou que "a natureza dos homens é a mesma, são os seus hábitos que os mantêm separados" este é um pensamento compartilhado por vários estudiosos até a atualidade, inclusive adotados pelas ciências sociais quando se trata de estudos inerentes a cultura organizacional.

 Pois, não há como se aceitar algo como bom ou mal, sem uma análise prévia.

"O homem é o único animal que fala de sua fala, pensa o seu pensamento, que responde à sua própria resposta, que reflete o seu próprio reflexo e é capaz de diferenciar-se mesmo quando está se adaptando as causas comuns e estímulos comuns".

"Possuidor de um tesouro de signos que tem a faculdade de multiplicar infinitamente, o homem é capaz de assegurar a retenção de suas ideias (...), comunicá-las para outros homens e transmiti-las para os seus descendentes como herança sempre crescente." (Turgot apud Laraia 1986, 27).

Teorias modernas sobre cultura

Para Geertz, o conceito de cultura é essencialmente semiótico, que vem de encontro com o pensamento de Max Weber "que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu". Geertz concebe a cultura como uma "teia de significados" que o homem tece ao seu redor e que o amarra. Busca-se apreender os seus significados (sua densidade simbólica).

Um dos métodos utilizados para entender a cultura é a descrição etnográfica que se baseia nas palavras dos informantes e o pesquisador interpreta-a e compartilha os significados juntamente com seus informantes, ou seja, aqueles que na verdade possuem o roteiro simbólico do que concebem e articulam logicamente entre suas visões de mundo.

Levando as Culturas Antropológicas e na Sociológica para um lado de termos sustentáveis para o mundo atual sob as óticas antropológica e sociológica, transcende a mera preservação ambiental, focando na intrínseca relação entre as culturas humanas, as estruturas sociais e a capacidade de garantir a sobrevivência saudável das futuras gerações. Ambas as disciplinas destacam que as crises socioambientais estão ligadas a comportamentos e sistemas sociais, e não apenas a fatores técnicos ou naturais.