05 fevereiro 2015

ABSORÇÃO DE ÁGUA EM AGREGADOS RECICLADOS

Absorção de água em agregados reciclados


Quando falamos em agregados naturais, a taxa de absorção exerce muito pouca influência nas misturas de concreto, pois, nestes materiais, quase não existe porosidade.
Entretanto, quando se trata de agregados reciclados, há uma grande preocupação da influência da taxa de absorção nestes materiais, pois, os valores encontrados são bem mais elevados do que os valores apresentados pelos agregados naturais convencionalmente utilizados.
A quantidade de água que o material reciclado pode absorver depende de fatores como a condição inicial de umidade do agregado, o tempo de permanência de contato do material com a água, se o agregado entra em contato primeiro somente com a água, ou com a pasta de cimento, entre outros (BARRA, 1996).

ABSORÇÃO DE ÁGUA EM AGREGADOS RECICLADOS
ABSORÇÃO DE ÁGUA EM AGREGADOS RECICLADOS

Machado Jr. e Agnesini (2000, apud Leite, 2001) consideram que a alta absorção dos agregados reciclados promovem um efeito de “cura úmida interna”, sendo esta uma propriedade inerente aos agregados leves de alto poder de absorção como, por exemplo, a argila expandida (NEVILLE, 1995, citado por CABRAL, 2007). 


Quando se trata de agregados reciclados de tijolo cerâmico, quanto maior for a porosidade, maior será a absorção de água do agregado. Em levantamentos bibliográficos realizados por Schulz e Hendricks (1992, citados por Cabral, 2007), foram encontrados situações onde a taxa de absorção variou de 22 a 25% da massa do material seco. O CUR/VB, citado na pesquisa de Schulz e Hendricks (1992, citados por Cabral, 2007), apresentou resultados de testes em tijolos cerâmicos onde apontam saturação completa deste agregado após 30 minutos, e que, após 24 horas imergido, não há variação maior que 2%. Em sua pesquisa, Devenny e Khalaf (1999, citados por Leite, 2001), obtiveram valores de taxa de absorção e agregados cerâmicos britados com variação de 5 a 15% em relação a massa do agregado no estado seco. Os pesquisadores avaliaram quatro tipos de tijolos diferentes na resistência à compressão. Concluíram que seria necessária a imersão do agregado reciclado por 30 minutos, a fim de compensar a taxa de absorção do material. Chegaram a este consenso mediante análise, que mostrou que a diferença de absorção do
material imergido entre os 30 minutos até às 24 horas era de apenas 2%.


A caracterização de agregados graúdos reciclados de cerâmica vermelha realizada por Mansur et. al. (1999, apud Leite, 2001) mostrou que este material tem uma taxa de absorção de 6,1% em relação a massa do material seco. No trabalho realizado por Topçu e Gunçan (1995 citado por Cabral, 2007), foi apontado uma taxa de absorção de 7% com o material imergido por 30 minutos.


Bazuco (1999) utilizando agregados reciclados de concreto encontrou uma taxa de absorção de 8,45% em 24 horas. Porém, percebeu que, praticamente toda a absorção ocorreu nos primeiros 30 minutos do material em contato com a água.
 Em sua pesquisa, Barra (1996) encontrou os valores de taxa de absorção abaixo representados. Pode-se observar na tabela 4 que quanto menor o diâmetro do agregado e maior a porosidade do material, maior é a taxa de absorção do agregado.


 Taxa de absorção de agregados reciclados em função do tipo de componentes e granulometria.

Componente Reciclado

Frações

Absorção1 (%)

Concreto

12 – 20 mm

6,85

 

6 – 12 mm

7,49

Material Cerâmico

12 – 20 mm

14,5

 

6 – 12 mm

14,4

1 Capacidade de absorção  do material calculada através da massa do material seco em estufa

 

 




  Fonte: BARRA (1996)

 Devido à maior absorção dos reciclados, vários autores recomendam seu uso na condição saturada, para evitar que o agregado retire água da pasta, necessária para a hidratação e ganho de resistência (HANSEN, 1992; SCHULZ & HENDRICKS, 1992; ANDRADE, 1998; FONSECA, 1998; I&T, 1995; CUR, 1984, citados por LEITE, 2001).

Alguns pesquisadores, no entanto, estudam a influência do grau de saturação nas propriedades de concretos com agregados reciclados (BARRA, 1997).

 Knights (1998, citado por Leite, 2001) chegou à conclusão em seu estudo com agregado reciclado que nem toda água necessária era absorvida durante a pré - umidificação dos agregados antes das misturas de concreto. Sendo assim o autor indica que apenas a absorção do agregado reciclado relativa a 10 minutos de imersão em água é que deve ser compensada no teor de água total colocado nas misturas de concreto reciclado, ao invés da taxa de absorção relativa as 24 horas de ensaio, isto porque este foi considerado tempo suficiente para apenas reduzir a alta absorção dos agregados reciclados.

A absorção de água dos reciclados de blocos cerâmicos é maior que a de reciclados de concreto, devido a maior porosidade dos materiais que o compõem. Podendo apresentar mais  variações na composição que o reciclado de concreto, é de se esperar que as taxas de absorção variem mais intensamente de uma amostra pra outra, neste material. Quando se produz concreto reciclado existe a necessidade de acrescentar mais água a mistura, comparando com um mesmo traço feito com agregado natural. A depender da quantidade de água a mais a ser incorporada na mistura. Assim, para manter a resistência haverá a necessidade do aumento do consumo de cimento, o que aumenta o custo do concreto produzido. Compensar apenas
parcialmente a taxa de absorção dos agregados reciclados é uma boa alternativa para minimizar os problemas com a trabalhabilidade das misturas e ao mesmo tempo para que não haja excesso de água no concreto com consequente redução da resistência mecânica. (LEITE, 2001).
Fonte:UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA / DAVID DOMINGUES /CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DE DOSAGEM DO CONCRETO COM AGREGADO / DE RCD / BELÉM / 2013

04 fevereiro 2015

MASSA ESPECIFICA E UNITÁRIA DE AGREGADOS RECICLADOS

Massa específica e unitária

É de se esperar que tanto a massa específica quanto a massa unitária dos agregados reciclados, apresentem valores menores, quando comparados aos agregados naturais, normalmente usados na produção de concretos.
MASSA ESPECIFICA E UNITÁRIA DE AGREGADOS RECICLADOS
MASSA ESPECIFICA E UNITÁRIA DE AGREGADOS

 Observa-se que os valores de massa específica dos agregados reciclados são de 5% a 10% menores que os valores apresentados pelos agregados naturais, podendo os números variar um pouco, de acordo com a origem e a granulometria do material. (BAZUCO, 1999).
A massa específica dos agregados de materiais cerâmicos estudados por Charisius et al., (citado por Leite 2001), dependeu do tipo de material utilizado, tijolos maciços, ou blocos estruturais, blocos de segunda linha, entre outros, e da quantidade de argamassa utilizada no assentamento. O valor da massa específica esteve em média acima de 2,2 kg/dm3.
Mansur et. al. (1999, citados por Leite, 2001) em seu trabalho, caracterizaram agregados reciclados de blocos cerâmicos de alta resistência, largamente utilizados para produção de concreto na Índia, e encontraram massa específica de 2,55 kg/dm³.
No trabalho de Barra (1996), foi realizado estudo com agregados reciclados de concreto e de material cerâmico, onde os valores estão representados na tabela.

Massa específica de agregados reciclados em função do componente e da faixa granulométrica utilizada.

 
 Fonte: A partir de BARRA (1996).
 Machado Jr. et al. (1998, citados por Cabral, 2007) afirmam que o agregado graúdo reciclado pode ser considerado aproximadamente como um agregado leve. Segundo Leite (2001), esta seria uma afirmação incorreta quando se considera que o limite superior do valor de massa específica para que um agregado seja considerado leve é de 2,00 kg/dm3. Pelo fato do agregado reciclado ser menos denso que o agregado natural, porém, com resultados que ultrapassam valores de massa de 2,00 kg/DM. Banthia e Chan (2000, apud Leite, 2001) consideram que em virtude da menor massa específica apresentada pelos agregados
reciclados, em algumas situações eles podem ser usados como agregados semi-leves.
Em seu trabalho, Latterza (1998, apud Leite 2001), realizou ensaios de massa específica e massa unitária no estado solto e no estado compactado de agregados graúdos reciclados com diâmetro máximo de 9,5 mm e encontrou os seguintes resultados: 1,10 kg/dm3 e 1,27 kg/dm3 para a massa unitária do agregado no estado solto e no estado compactado, respectivamente. E encontrou o resultado de 2,45kg/dm3 para a massa específica do agregado graúdo reciclado.
Os resultados encontrados na revisão bibliográfica em relação a massa específica e massa unitária são muito variáveis, mesmo sendo materiais reciclados com composição próxima. Em sua pesquisa, Leite (2001) diz que este fato pode ser explicado em dois aspectos.
Primeiro a própria composição do material, o tipo de beneficiamento realizado, a granulometria, entre outros fatores, que são capazes de interferir na densidade dos agregados reciclados.
Além disso, outro ponto que pode ser considerado muito importante é o método utilizado na determinação destas propriedades. Por exemplo, para a determinação da massa do material no estado saturado superfície seca, necessário para o cálculo da massa específica dos agregados, é necessária a secagem da amostra superficialmente e este procedimento pode ter variabilidade, visto que devido à alta porosidade do material, não somente a película de água da superfície pode ser retirada, mas também a água dos poros um pouco mais internos. Ou ainda, pode ocorrer desagregação do material durante o seu manuseio, ou até durante a sua secagem, devido a menor resistência do material reciclado, principalmente no estado saturado (LEITE, 2001).
No método de ensaio do frasco de Chapman também podem ocorrer erros na determinação da massa específica do material, se não houver o cuidado de retirar a maior parte do ar desprendido pelo material poroso quando o mesmo entra em contato com a água, e o espaço que deveria estar ocupado por material e água, estaria ocupado também por bolhas de ar aprisionado (LEITE, 2001).
Deste modo, deve haver muito cuidado durante a execução dos ensaios de caracterização de novos  materiais, inclusive devem ser levadas em consideração certas limitações no uso de normas e procedimentos de ensaio. É preciso, às vezes, considerar a utilização, ou mesmo, o desenvolvimento de outros métodos de quantificação para determinadas propriedades dos materiais reciclados (LEITE, 2001).
Ainda é necessário, ter conhecimento das massas específicas e unitárias dos agregados, para realização do estudo de dosagem dos concretos. Existe também, a necessidade de uma compensação da quantidade de material reciclado a ser utilizada nas misturas de concreto (LEITE, 2001).
Fonte:UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA / DAVID DOMINGUES /CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DE DOSAGEM DO CONCRETO COM AGREGADO / DE RCD / BELÉM / 2013

03 fevereiro 2015

VOCÊ SABE O QUE É FRAÇÃO VERMELHA DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

VOCÊ SABE O QUE É FRAÇÃO VERMELHA DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL


Os conceitos de sustentabilidade e construção civil verde motivam o estudo de técnicas e materiais alternativos. Dentre os resíduos de construção e demolição (RCD), com a fração cinza (resíduos de concreto e argamassas) têm-se obtido agregados como brita e areias para uso em concretos e argamassas alternativas. O uso da fração vermelha restringe-se a aplicações menos nobres devido às características de elevada absorção de água e finura.


 FRAÇÃO VERMELHA DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
FRAÇÃO VERMELHA DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Contudo, uma vez que haja uma correta seleção e reciclagem da fração vermelha, esta se torna um material pulverulento e que reage com a cal promovendo a formação de um novo composto com características comparáveis às do cimento Portland. Este trabalho tem por objetivo avaliar a influência da substituição parcial do cimento Portland CP-V ARI por um aglomerante alternativo composto por cal, sílica ativa e fração vermelha do RCD, na resistência mecânica à compressão (RMC) e na reatividade das composições. 


As composições foram definidas por um planejamento experimental do tipo modelagem de mistura simplex linear. Após ajuste da quantidade de água para a pasta e argamassa normal  pelo índice de consistência normal, foi analisada a reatividade por meio de: sonda de Tetmajer, agulha de Vicat e calor de hidratação por meio de um dispositivo sensor de fibra óptica com rede de Bragg. Para avaliação da RMC aos 7 dias foram produzidas composições de argamassa normal com areia padrão do IPT e curadas em água.

 Os resultados mostraram que maiores quantidades de fração vermelha apresentaram os maiores valores da taxa de aquecimento inicial, exigiram a menor relação de água/aglomerante e apresentaram o menor volume aparente. A presença de sílica ativa retarda tanto os tempos de início como o de fim de pega. Composições sem sílica apresentaram as reações com as maiores temperaturas por volta da 6ª hora após a adição de água.

Localizacão indisponivel!
Fonte:www.infohab.org.br

02 fevereiro 2015

VOCÊ SABE O QUE É FRAÇÃO CINZA DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

VOCÊ SABE O QUE É FRAÇÃO CINZA DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Na construção civil tem-se procurado mecanismos por meio de novas técnicas que possibilitem viabilizar a sustentabilidade dessa atividade produtiva, respeitando às questões ambientais e a tendência de escassez dos recursos naturais. A indústria da construção civil tem buscado na reciclagem dos resíduos de construção e demolição (RCD) uma forma de atenuar o impacto ambiental e buscar uma fonte alternativa de matéria-prima. Associado a essa preocupação, grandes centros consumidores da região Amazônica, como Manaus, utilizam agregados para produção de concretos e argamassas minerados dos leitos dos rios e trazidos de grandes distâncias.

 
FRAÇÃO CINZA DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
FRAÇÃO CINZA DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
 

 O presente trabalho tem como objetivo estudar a obtenção de blocos de argamassa celular para alvenarias, utilizando agregados de RCD em substituição aos agregados convencionais. Os blocos de argamassa celular são largamente utilizados na Europa como elementos de alvenaria devido à capacidade de isolamento térmico e acústico, parâmetros esse de grande relevância para um elemento construtivo também em regiões de clima quente. Em Manaus existem empresas que constroem habitações com argamassa celular monolítica, ou seja, todas as alvenarias da residência são moldadas em uma única etapa. Assim, após obtenção e caracterização da fração cinza de RCD, foi utilizada uma composição comercial de argamassa celular para analisar a substituição dos agregados alternativos pelo RCD. Com isso buscou-se também obter uma dosagem mais econômica, com resistência mecânica exigida pela norma brasileira para blocos e minimizar o impacto ambiental de argamassas celulares convencionais. Os resultados técnicos foram favoráveis, com potencial para consumir agregados de RCD, contribuindo assim na gestão ambiental desse resíduo da construção civil.

27 janeiro 2015

FORMA E TEXTURA DAS PARTÍCULAS DOS AGREGADOS

Forma e textura

A forma dos grãos tem influência no volume total de pasta necessário para garantir a plasticidade especificada de determinado concreto, de acordo com estudo realizado por Ravindrarajah e Tam (1985, citados por Levy, 2001) , geralmente, a forma das partículas dos agregados reciclados e mais angular quando comparado ao agregado natural. A forma das partículas exerce uma influência muito grande na produção de concretos, principalmente sobre a trabalhabilidade, compacidade, ângulo de atrito interno e quantidade da água de amassamento necessária à mistura (COUTINHO, 1997, apud LEITE 2001).

Partindo da premissa que os agregados reciclados possuem um grande número de partículas angulares, não é surpreendente o fato de que concretos elaborados exclusivamente com estes agregados, sejam mais consistentes e consequentemente apresentem menor trabalhabilidade do que concretos produzidos com agregados naturais utilizando o mesmo traço (HUISMAN e BRISTON, 1981, citado por Leite 2001).

De acordo com pesquisas executados por Hansen e Narud (1983, citado por Ângulo, 2005) conclui-se que os agregados miúdos oriundos do processo de britagem, resultam em formas maiores e mais angulosas do que seria desejável para produção de boas misturas.


FORMA E TEXTURA DAS PARTÍCULAS DOS AGREGADOS
FORMA E TEXTURA DAS PARTÍCULAS DOS AGREGADOS
A textura dos agregados reciclados é geralmente mais rugosa e porosa do que a dos agregados naturais. Segundo Hamassaki et al.(1996, citado por Leite, 2001), a superfície dos agregados naturais pode ser classificada como praticamente polida e a dos agregados reciclados como áspera a muito áspera. A argamassa aderida às partículas do material, ou o próprio material cerâmico, conferem ao agregado reciclado tal aspereza. A rebritagem do material poderia favorecer a redução da porosidade do mesmo, principalmente no caso do agregado reciclado de concreto, pois este procedimento ajudaria a diminuir a quantidade da argamassa aderida à superfície (MOREL et al., 1993, apud LEITE, 2001). Entretanto, desta forma o custo do beneficiamento aumentaria muito.

Além de rugosos, os agregados reciclados de concreto, depois de britados, tendem a ter formas mais angulares, com relação superfície/volume maiores quando relacionados aos agregados naturais, que possuem superfícies mais lisas e arredondadas. Isso resulta numa
maior fricção interna dos agregados reciclados, o que necessita maior quantidade de argamassa para melhorar a trabalhabilidade do concreto produzido (RASHWAN eABOURIZK, 1997, apud CABRAL 2007).

Em contrapartida, Pietersen e Fraay (1998, citados por Leite, 2001) apontam o comportamento hidráulico e a textura mais rugosa dos agregados reciclados como causas para a boa aderência existente entre estes componentes e a pasta de cimento. De acordo com Sagoe-Crentsil et al. (1998), a textura superficial, o tamanho da partícula e a forma do
agregado também são fatores que influenciam bastante aderência entre o agregado e a matriz de concreto.

Devem ser tomados cuidados com a forma dos agregados reciclados na produção de concretos , principalmente com relação ao teor de partículas lamelares presentes nas amostras de agregado. Estes cuidados devem ocorrer para que não se use partidas de agregados com teor exacerbado destas partículas, e, também, que os grãos não sejam muito grandes e longos (LIMA, 2000).

Segundo Leite (2001), o agregado reciclado, quando incorporado ao concreto, consiste em uma mistura mais coesa e consequentemente com menor trabalhabilidade quando comparado a um mesmo traço com agregado natural. Isso consiste numa desvantagem do uso do agregado reciclado, pois o mesmo necessitará de mais pasta de cimento a fim do ganho de trabalhabilidade, agregando um custo maior ao concreto. Entretanto, a autora diz que a textura mais rugosa e maior angulosidade do agregado, contribuem com a melhoria da aderência pasta/agregado. O material possui maior área específica, o que contribui com maior aderência entre a argamassa e o agregado. O material promove maior absorção da pasta de cimento pelos poros superficiais do agregado, quando comparado ao material natural usualmente empregado, permitindo maior fechamento da zona de transição do concreto, tornando a matriz e o agregado um bloco único de material, o que tende a melhorar o desempenho final do concreto.
Fonte:UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA / DAVID DOMINGUES /CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DE DOSAGEM DO CONCRETO COM AGREGADO / DE RCD / BELÉM / 2013

24 janeiro 2015

UTILIZAÇÃO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL NA PRODUÇÃO DE CONCRETOS

 UTILIZAÇÃO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL NA PRODUÇÃO DE CONCRETOS


Quando é feita uma mudança considerável em algum material constituinte na mistura de um concreto, faz-se necessária a análise de suas propriedades, comparando-as com as mesmas do componente substituído.

 RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL NA PRODUÇÃO DE CONCRETOS
 RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL NA PRODUÇÃO DE CONCRETOS

Composição granulométrica

Segundo Lima (1999), a distribuição granulométrica é um fator muito importante na determinação de características de argamassas e concretos, influenciando na trabalhabilidade, na resistência mecânica, no consumo de aglomerantes, na absorção de água, na permeabilidade etc. A granulometria dos reciclados varia conforme o tipo de resíduo antes de ser processado e outros fatores. Assim, a curva granulométrica é característica específica de cada tipo particular de resíduo reciclado.

Os agregados reciclados, tanto miúdo quanto graúdo, tendem a uma composição granulométrica um pouco mais grossa que os agregados naturais, resultando em um módulo de finura um pouco maior. O tipo e a granulometria do resíduo, o britador e suas regulagens internas influenciam consideravelmente a granulometria final dos agregados reciclados produzidos (BAZUCO, 1999; LIMA, 1999, BANTHIA e CHAN, 2000; citado por LEITE, 2001).

A granulometria dos agregados exerce influência sobre a trabalhabilidade dos concretos no estado fresco, além de ser importante parâmetro para a dosagem das misturas (BARRA, 1996). Entretanto, a autora cita que isso é uma situação que depende do processo de produção do agregado.

 Nas usinas de reciclagem no Brasil que utilizam britadores de impacto, até 60 % em massa do agregado produzido é material miúdo. Isso se deve ao tipo de resíduo usado, ao tipo de britador e ao uso de material que não foi previamente classificado para retirada da parcela miúda. Entretanto, mesmo retirando-se esta parcela, a geração de miúdos é significativa.(LIMA, 1999).

Em seu trabalho, Lima (1999) diz que pode-se conceber curvas granulométricas diferentes do agregado reciclado de acordo com a regulagem interna dos britadores conforme a classe de reciclado a ser produzida e sua finalidade.

Segundo Hansen (1992) britadores de mandíbulas com abertura de 33 mm produzem material com 20% de finos abaixo de 5 mm.

Agregados reciclados de concreto podem apresentar curvas muito parecidas com as de agregados naturais e não significativamente influenciadas pela resistência do concreto original (HANSEN, 1992). Com relação a agregados de alvenaria, Schulz & Hendricks (1992, apud Cabral 2007) afirmam que mesmo as centrais de reciclagem modernas encontram dificuldades para obter produtos que atendam às exigências de granulometria de agregados naturais.

Um fator negativo para o agregado reciclado é que os resíduos de construção podem apresentar uma parcela significativa de material fino, que somado aos produzidos na britagem leva à geração de grande parcela de miúdos no reciclado (LIMA, 1999). Castro (1996) analisando resíduos de construção gerados na cidade de São Paulo, determinou a granulometria dos resíduos coletados em sua pesquisa.

Pode-se verificar que a maior parcela dos resíduos amostrados por Castro (1996) é composta por grãos menores que 5 mm, e que a porcentagem de não passantes em 15 mm é pequena.

Tabela: Granulometria dos resíduos de construção amostrados na cidade de São Paulo.

Colunas1
Maior que 15mm
6,13
Entre 15mm e 10mm
3,37
Entre 10mm e 25mm
9,08
Menor que 5mm
81,43
Total:
100
Fonte: (CASTRO, 1996).

De acordo com Latterza e Machado Jr. (1999, apud Leite, 2001), foram realizadas análises do material reciclado proveniente da usina de reciclagem de Ribeirão Preto/SP e concluiu-se que cerca de 50% do material beneficiado era passante na peneira de malha 4,8 mm e que 70% do material graúdo encontrava-se de 19 a 4,8 mm. Segundo (LEITE, 2001), esse percentual de material fino pode ser associado à composição do resíduo encontrado ser uma fatia de mais de 50% composta por argamassa, que por sua vez pode apresentar baixa resistência e tende a maior desagregação.

No Reino Unido é utilizado o método de dosagem do DOE (Department of Environment), que passou por mudanças nos últimos anos com intuito de abranger os agregados reciclados para produção de concretos. Uma recomendação é a utilização de agregados graúdos reciclados que tenham dimensão máxima entre 16 e 20 mm para que a durabilidade do concreto produzido com agregado reciclado não seja comprometida (TEYCHENNE et al., citado por HANSEN, 1992). No caso de concretos produzidos com agregados de concreto observou-se que o tamanho da partícula apresenta uma certa influência na resistência à compressão, devido à quantidade de argamassas aderida às partículas. Ou seja, quanto maior o grão, maior a possibilidade da existência desta argamassa, e assim, a existência de uma ligação mais frágil (TAVAKOLI e SOROUSHIAN, 1996, apud CABRAL 2007).

 De acordo com Montgomery (1998, citado por Leite, 2001), partículas de resíduos de construção e demolição com diâmetros menores que 0,15 mm apresentam maior probabilidade de ter na sua composição partículas não hidratadas de cimento. Com base nesta afirmação, o autor salienta que a utilização destas partículas pode favorecer o incremento da quantidade de cimento presente no concreto produzido, o que pode ajudar a reduzir a aspereza das misturas, podendo, inclusive, favorecer a trabalhabilidade e o aumento de resistência.Todavia, não é possível visualizar, na prática, a britagem de argamassas de forma a obter grãos íntegros de cimento. Além disso, pode ser muito difícil ou impossível mensurar a quantidade destes grãos existente na fração fina.
 Collins (1998, citado por Leite, 2001) menciona que alguns pesquisadores acreditam que a fração miúda de resíduos de demolição pode apresentar um nível relativamente alto de contaminação por outros materiais e que seu uso como agregado pode prejudicar o desempenho dos concretos por ventura produzidos.

Loo (1998, apud Leite, 2001) realizou um estudo com agregados reciclados de concreto separando-os em frações entre 1 e 0,15 mm e menores que 0,15 mm. Para ambas frações foram realizados ensaios de determinação do teor de cálcio e silício no qual os resultados apontaram que os valores de Ca e Si aumentavam para as partículas menores que 0,15 mm.

Van Der Wegen e Haverkort (1998, citados por LEITE, 2001) fizeram suas pesquisas utilizando agregado miúdo reciclado de diferentes origens, avaliando a influência da realização de uma lavagem prévia dos grãos. A adoção do processo de lavagem dos agregados britados fez o teor de materiais finos (< 0,063 mm) reduzir de 10 %, nos agregados que não foram lavados, para 1,9 %, nos agregados lavados.

Ogwuda et al. (1998, citado por Leite, 2001) realizaram um estudo da composição granulométrica de 60 amostras de agregados reciclados obtidos em 3 plantas debeneficiamento na Inglaterra e concluíram que o material apresentava-se bem graduado, com forma muito semelhante a de agregados naturais utilizados para sub-base de pavimentos rodoviários e, de forma geral, os resultados entre os materiais de diferentes origens tiveram pequena variação.

Outro estudo realizado foi o de Rashwan e Abourizk (1997, citados por Leite 2001),utilizando sobras de concreto de usinas concreteiras. Neste estudo foram avaliadas a
influência do tempo de endurecimento do concreto de 1, 2, 3, 4 e 7 dias antes da britagem e do tempo de estocagem do material depois de britado também de 1, 2, 3, 4 e 7 dias. Eles
concluíram que quanto maior o tempo de endurecimento do concreto, mais finos eram os agregados obtidos com a britagem do material e atribuíram este fato a menor de formabilidade apresentada pelos concretos mais resistentes, ou mais antigos. Entretanto, o tempo de estocagem não exerceu nenhuma influência significativa na granulometria dos agregados produzidos.

Baseando-se em normas internacionais, como por exemplo, a holandesa, é importantecautela nos seguintes aspectos: 

• A utilização dos limites de granulometria dos agregados reciclados igual dos agregados utilizados para concretos convencionais. Neste caso, usando-se somente o reciclado ou sua mistura com agregados convencionais, em argamassas e concretos, pode-se obter certa segurança com relação à trabalhabilidade, consumo de cimento, dentre outros fatores.

• Optando-se por trabalhar com o reciclado sem ajustes profundos na granulometria,com  condições particulares de preparação e aplicação dos compostos, seriam necessários estudos sobre as características específicas do material e as consequências destas características para o desempenho;

• A adoção de granulometrias particulares para o reciclado pode se justificar nos casos em que reciclado específico for produzido em escala significativa, e houver segurança que as condições de produção se manterão relativamente uniformizadas por bom período de tempo, como no caso de recicladoras públicas.
Fonte:UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA / DAVID DOMINGUES /CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DE DOSAGEM DO CONCRETO COM AGREGADO / DE RCD / BELÉM / 2013