13 setembro 2014

CONCEITO DE BIFENILAS POLICLORADAS (PCBs)



As Bifenilas Policloradas (PCBs)




As Bifenilas Policloradas (PCBs) são compostos aromáticos clorados cuja família é constituída por cerca de 709 compostos diferentes.
AS BIFENILAS POLICLORADAS (PCBs)




As Bifenilas Policloradas (PCBs) são compostos aromáticos clorados cuja família é constituída por cerca de 709 compostos diferentes. Os produtos comerciais fabricados à base de PCBs, utilizavam misturas de compostos nas quais predominam desde as tricloro-bifenilas até as heptacloro-bifenilas. Cada Bifenila Policlorada apresenta um número de isômeros que irá variar de acordo com a PCB específica.
Ascaréis são líquidos isolantes elétricos constituídos por uma mistura de 60 a 40% de Triclorobenzeno (TCB) e igual proporção de Bifenilas Policloradas (PCBs). Líquidos isolantes assim formulados apresentam boas características dielétricas e grande estabilidade térmica e química, motivo pelo qual constituíram a maior aplicação das PCBs. Em função da larga difusão desta utilização, o termo “Ascarel”, originalmente a marca registrada da Monsanto para seus produtos à base de PCBs, passou a ser utilizado no Brasil como sinônimo de Bifenila Policlorada.




 
AS BIFENILAS POLICLORADAS (PCBs)
AS BIFENILAS POLICLORADAS (PCBs)




Os Ascaréis foram desenvolvidos no final da década de 30 nos EUA, com o objetivo de serem utilizados em transformadores e capacitores instalados em áreas onde os riscos de incêndio e explosão devem ser minimizados, isto é, subestações elétricas localizadas no interior de prédios, veículos como trens e navios, ou em locais com transito frequente de pessoas.

Devido à grande estabilidade do produto, que é incombustível à temperaturas de até 600º C, apresentou grande eficácia para esta finalidade e foi largamente utilizado o até o final da década de 70 quando foi incluído entre as substâncias classificadas como poluentes orgânicos persistentes.


PRINCIPAIS APLICAÇÕES:

Devido às suas características de grande estabilidade térmica e química e também às suas propriedades bacteriostáticas, formulações à base de PCBs foram largamente aplicadas para outras finalidades além do isolamento elétrico. Seus usos podem ser divididos em dispersivos e não dispersivos.
Os usos não dispersivos são aqueles em que o produto encontra-se em dispositivos ou equipamentos totalmente selados, sem contato direto com o meio ambiente e os usos dispersivos são aqueles em que o produto é usado em contato direto com o ambiente. 
Os principais usos não dispersivos das formulações à base de PCBs foram para isolamento elétrico, e como fluidos de troca térmica em trocadores de calor. Este tipo de aplicação possibilitou que, após cessada a utilização do produto, os estoques existentes pudessem ser controlados.

Os principais usos dispersivos das PCBs estavam baseados nas suas propriedades bacteriostáticas. Foram empregados com intensidade em produtos de limpeza e desinfecção hospitalar como sabonetes cirúrgicos, produtos de limpeza de salas de cirurgia e outras instalações hospitalares. 
Na área agrícola, apesar de não ter propriedades herbicidas ou pesticidas, foi utilizado como diluente para pulverização destes produtos. Foi também largamente utilizado na preservação de madeiras como proteção contra cupins.

Na área industrial, foi utilizado como estabilizante de diversas formulações de plásticos e borrachas especiais, principalmente PVC e Borracha Clorada.
As utilizações agrícolas e industriais foram facilitadas pela disponibilidade do produto no mercado de sucata, pois mesmo após estar inutilizado para o uso elétrico, suas propriedades são ainda satisfatórias para aquelas aplicações.


CARACTERÍSTICAS FÍSICAS e QUÍMICAS:


As PCBs são substâncias de peso molecular elevado e, portanto, alta densidade e viscosidade, motivo pelo qual é misturado o TCB com a finalidade de obter viscosidade adequada ao uso em equipamentos elétricos.
A densidade das formulações Ascarel mais comuns encontra-se na faixa de 1,3 a 1,5 e a viscosidade a 25 Celsius, na ordem de 10 a 20 CST.
Do ponto de vista químico são extremamente estáveis, não reagindo em condições normais com ácidos, bases, agentes oxidantes e redutores. Sua reação característica é com o Sódio metálico dando Bifenil e Cloreto de Sódio.
Esta reação, no entanto, é extremamente exotérmica e de difícil aplicação prática.

PCB + →  Na Bifenila + NaCl

A temperatura da ordem de 400 C a 1000 C em presença de oxigênio, as PCBs oxidam-se de forma parcial, gerando compostos da classe das Dibenzo-dioxinas-policloradas (PCDDs) e Dibenzo-furanos-policlorados (PCDFs), que apresentam elevada toxidez. Portanto, deve-se sempre avaliar os riscos de  envolvimento das PCBs em processos de temperatura elevada como incêndios e outros.

É ainda muito importante observar que quando nos referimos aos líquidos isolantes Ascarel, estamos considerando uma mistura de PCBs que contém compostos com 3 a 7 átomos de cloro por molécula. Assim, nos Ascaréis formulados para equipamentos elétricos, iremos encontrar desde triclorobifenilas até heptaclorobifenilas, incluindo todos os seus isômeros de
posição, totalizando centenas de compostos diferentes.
Estes diferentes compostos irão apresentar diferenças em suas propriedades químicas, físicas e biológicas, de acordo com a PCB predominante numa dada formulação.

ASPECTOS BIOLÓGICOS:

Do ponto de vista Biológico, as PCBs apresentam como principais características, a não biodegradabilidade, a bacteriostaticidade, e a bioacumulação em tecidos animais e vegetais. Foram feitos vários estudos no sentido de determinar suas características de carcinogenicidade e mutagenicidade sem, no entanto, obter-se comprovação de acordo com os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Do ponto de vista toxicológico as PCBs são classificadas como não tóxicas a levemente tóxicas, segundo a classificação da ACGIH (American Conference of Government Industrial Hygienists).

Caracterizam-se, portanto, como substâncias perigosas do ponto de vista da exposição a longo prazo e de forma contínua. A seguir, os valores de TLV (Threshold Limit Values) estabelecidos pela ACGIH:


Aroclor 1242: 1 mg/m³
Aroclor 1254: 0,5 mg/m³

Obs:

1) Aroclor 1242: PCB com 42% de cloração
    Aroclor 1254: PCB com 54% de cloração

2) Valores de concentração máxima no ar seco para 8 horas diárias de trabalho

Do ponto de vista do ser humano, sua principal característica é a acumulação nas células renais, hepáticas, adiposas e piteliais, podendo provocar disfunções nestes órgãos após longos períodos de exposição. Sua interferência nos tecidos nervosos e células reprodutoras é ainda objeto de estudo.

Alguns dos resultados de estudos realizados para o National Institute of Occupational Safety and Health (NIOSH) em 1985:

TOXICIDADE AGUDA DAS PCBS, EFEITOS DAS PCBS NO SISTEMA DE DEFESA IMUNOLÓGICA

As PCBs apresentam ainda características alergenas acentuadas podendo provocar reações significativas nos sistemas respiratório e epitelial.
É muito importante observar ainda que o óleo isolante ASCAREL, contém o TCB como constituinte da mistura. Os TCBs são substâncias classificadas como tóxicas (classe 6.1 ONU), cujo TLV é de 5 ppm (partes por milhão) pico máximo de exposição. 
Assim, quando são avaliadas as características biológicas dos “Ascaréis”,devem-se levar em conta os dois componentes da mistura.

ASPECTOS AMBIENTAIS:

Devido às suas características de não biodegradabilidade, bacteriostaticidade e bioacumulação, as PCBs são classificadas internacionalmente como “Poluentes Orgânicos Persistentes” (POPs).

a) A sua não biodegradabilidade, significa que as PCBs não são processadas por nenhum microrganismo da natureza e, como possuem também elevada estabilidade química, permanecem no meio ambiente por períodos de tempo extremamente longos. Por serem substâncias bio acumulativas, tendem a acumular-se nas células dos seres vivos, constituindo sério risco para a estabilidade do ecossistema terrestre e para a saúde dos seres humanos.

b) A bioacumulação do produto atinge a cadeia alimentar humana. Em termos práticos, isto significa que ao se contaminar o meio ambiente, cada ser vivo em contacto com o meio irá concentrar as PCBs sucessivamente em seu organismo, fazendo com que o grau de contaminação seja maior nos organismos em posição superior na cadeia alimentar.

A presença das PCBs já foi detectada em espécies da fauna marinha dispersa por todo o globo terrestre, em aves migratórias e na flora das regiões de maior contaminação.

Fonte:http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_prorisc_upml/_arquivosestudo_sobre_as_bifenilas_policloradas_82.pdf


OUTROS ITENS A SEGUIR PARA SE TER MAIS INFORMAÇÕES E A LEGISLAÇÃO, REGULAMENTOS EDITADOS PELO GOVERNO FEDERAL, NORMAS TÉCNICAS E A SITUAÇÃO ATUAL NO CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE ETC.

 

12 setembro 2014

COMPACTAÇÃO SUSTENTABILIDADE URBANA


COMPACTAÇÃO

A compactação expressa no ambiente urbano transmite a ideia da proximidade dos componentes que formam a Cidade, ou seja, a reunião num espaço mais ou menos limitado dos usos e funções urbanas. A compactação, facilita portanto, o intercâmbio da comunicação que é a essência de uma Cidade e potencia a probabilidade de relação dos elementos urbanos. 

COMPACTAÇÃO SUSTENTABILIDADE URBANA
COMPACTAÇÃO SUSTENTABILIDADE URBANA
Compactação e Dispersão

Os condicionantes que impõem a proximidade física formal são de especial relevância pois aproximam-nos dos objetivos de sustentabilidade: 
As soluções formais adaptadas numa cidade compacta, tanto do espaço público como da edificação, permitem estabelecer uma separação entre o que é Cidade e o que é o Campo, ao contrário de uma cidade difusa que se confunde com os subúrbios. 
As Cidades mediterrâneas (compactas) são caracterizadas pelo espaço público, que é o local onde toma sentido a vida do cidadão. As funções que toma vão para além das relacionadas com a mobilidade e abarca muitas outras como as lúdicas, de serviços ou culturais.


O espaço público é caracterizado pela via pública que é o que configura, em grande parte, a paisagem urbana e se estende aos equipamentos públicos: mercados, bibliotecas, instalações desportivas equipamentos culturais, centros cívicos, escolas, praças, parques e jardins entre outros. Então, a via pública e os equipamentos formam uma unidade, um mosaico interconectado que diariamente revitaliza a vida do cidadão. 
O espaço público numa Cidade difusa está compartimentado, podendo ter em cada lugar uma função ou mono funções, como por exemplo, as auto-estradas que têm papel de ruas principais onde somente se admite a função de mobilidade. (as zonas residenciais periféricas, centros comerciais defasados do pequeno comércio, vias de comunicação que só servem um propósito) Na cidade compacta pode-se pensar em construir no subsolo, onde as maiorias das fricções urbanas sofridas na superfície estariam diminuídas (trânsito, cargas e descargas, estacionamento). 

 
COMPACTAÇÃO SUSTENTABILIDADE URBANA
COMPACTAÇÃO SUSTENTABILIDADE URBANA


Obviamente que na cidade difusa tal não é possível. 
A solução dos conflitos de transporte gerados pela cidade difusa passaria pelo aumento das infra-estruturas viárias para restituir a velocidade perdida ou para resolver a saturação do tráfego. Este processo, que é dinâmico, é complementar e geralmente percursor de novos centros urbanos dispersos que se encarregarão de tornar insuficiente qualquer ampliação da rede pois desencadeariam novos problemas de congestionamento e das variáveis que os acompanham (contaminação atmosférica, solo, da paisagem, maior consumo de energia e tempo). Se se aumenta a rede viária, só é possível aumentar os números de contatos e relações físicas na cidade difusa, com a tecnologia atual. 
A proximidade dos usos e funções urbanas numa cidade compacta permite ao transporte público atingir o público-alvo e manter uma oferta de serviço regular, cômodo e próximo. Permite um aumento do uso da bicicleta e de maior número de peões que tem acesso a toda a cidade e seus serviços, sem depender de ninguém, nomeadamente no caso dos idosos, crianças e pessoas sem carta de condução (que são 70% dos cidadãos que não têm autonomia e que portanto acendem à Cidade quando habitam em urbanizações dispersas). 
O número de contatos potenciais por unidade de energia e tempo gasto em transporte é muito maior numa cidade compacta do que numa cidade difusa, originando menor emissão de contaminantes na cidade compacta. 
A separação entre as pessoas com rendimentos diferentes é menor na cidade compacta do que na difusa. O espaço público das cidades é ocupado por qualquer cidadão, não importando a sua condição social. Por outro lado, a mistura de rendimentos no tecido construído, supõe um elemento de coesão social e convivência. As urbanizações da cidade dispersa estão distribuídas segundo os rendimentos, o que provoca segregações sociais que se ampliam com o uso quase exclusivo do espaço público, pelo que, os que residem naquela urbanização, consideram estranhos todos aqueles que aparecem e utilizam aquele espaço público.

Compactação corrigida 


Um dos perigos enfrentados por muitas cidades é o desenvolvimento de uma compactação excessiva, fruto de manobras especulativas ou de políticas mal interpretadas ao respectivo conceito. 
A tendência atual de produzir cidades, não termina com a ocupação dispersa do território, pois (seguindo o mesmo modelo) continua a existir um crescimento em altura de áreas mais ou menos centrais, que se ocupam de atividades eminentemente terciárias e que em alguns casos afugentam os habitantes residentes. Estas áreas de negócios são as que controlam o desenvolvimento.
As proporções entre a edificação e o espaço público que resultem no equilíbrio da vida do cidadão, são aquelas relacionadas com a qualidade do ambiente urbano e a qualidade de vida. 
Então, a ideia de regular ou corrigir a compactação é necessária para evitar excessos que podem gerar más disfunções e soluções desvirtuando a lógica da sustentabilidade. Mas quais são as regras para a correção da compactação? E quais os pontos de equilíbrio do fundamento teórico para abordá-las? 
Vamos analisar um exemplo em que a dicotomia da relação/isolamento divide 50% para a edificação e 50% para os espaços verdes e livres.
A vida do cidadão que se desenvolve num espaço público apresenta para os habitantes de um centro urbano uma dicotomia básica e similar à sua vida pessoal. De fato a vida de um indivíduo é essencialmente duas coisas: vida interior e relação. A vida do cidadão também é, por um lado, interação e comunicação, por outra tranquilidade, silêncio, contato relaxante com a natureza, isto é, isolamento. 
A compactação dos distintos tecidos urbanos reflete o déficit dos espaços verdes de proximidade, que são aqueles que se encontram a menos de 200 metros do espaço de residência. Por outro lado, os veículos privados estacionam e realizam cargas e descargas ocupando entre 65% e 70% do total do espaço público. A esta presença maciça de veículos que funcionam como dissipadores de energia, emissores de ruído e contaminação atmosférica e geradores de acidentes, adicionam-se a pressão do excesso de edificação e o pouco visível espaço público traduz-nos a imagem de muitas cidades mediterrâneas. 
Portanto, a especulação encarrega-se de reduzir os espaços de relação com o ambiente, o verde e a tranquilidade, substituindo-os pela edificação. Os carros inundam a maior parte do espaço urbano, constrangendo os usos e as funções do espaço público. A cidade necessita de restituir parte do seu equilíbrio relação – isolamento, através do modelo de cidade futura, que se fará em parte repensando os usos que se fazem à superfície e no subsolo da cidade.

Indicadores de compactação

A formula da Compactação Absoluta: C = volume edificado/unidade superfície verde (formula)... etc, dá-nos a ideia de densidade edificatória, mas também de eficiência edificatória em relação ao consumo do solo.
 
COMPACTAÇÃO SUSTENTABILIDADE URBANA
COMPACTAÇÃO SUSTENTABILIDADE URBANA
Para uma determinada unidade de superfície urbana, o indicador Compactação corrigida Cc = volume edificado / espaços públicos e de lazer..(formula).

Este indicador formula Cc corrige o valor da compactação C, entendendo que esta não é consubstancialmente boa, posto que, uma sobre compactação pode ter efeitos perversos para os interesses da cidade. A substituição da superfície urbanizada pela superfície em espaços verdes e de convivência ou de lazer, permite conhecer para uma determinada área urbana, o equilíbrio entre o construído e os espaços livres e de relação. 
Relaciona-se a densidade edificatória com a superfície que caracteriza o alinhamento da vida citadina: espaços verdes, praças e passeios de largura mínima. 
 Fonte: http://www.cm-braganca.pt/document/448112/520891.pdf