12 abril 2014

CONSTRUÇÃO, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DE ATERRO SANITÁRIO


CONSTRUÇÃO, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO

1.CONSTRUÇÃO

A construção de um aterro sanitário fundamenta-se em três métodos operacionais principais: o método de rampa, recomendado para terrenos inclinados; o método de trincheira, que aproveita a escavada do solo para a cobertura dos resíduos; e o método de área, voltado a áreas planas. Independentemente do método adotado, a eficiência e a preservação ambiental do empreendimento dependem da atuação de uma equipe técnica especializada sob supervisão de engenheiro qualificado.

Os 3 métodos: Rampa, trincheira e área.

Critérios operacionais: Declividade, profundidade do lençol freático, escavação/cobertura e compactação dos resíduos.

Equipe e responsabilidade: Necessidade de profissional habilitado (Engenharia Civil/Sanitária/Ambiental), equipe técnica de suporte e operadores capacitados para mitigar impactos ambientais.

 2. A OPERAÇÃO

A operação eficiente de um aterro sanitário exige um planejamento rigoroso do dimensionamento de máquinas e da logística no manejo de resíduos e material de cobertura. Para assegurar a continuidade do funcionamento e preservar a vida útil do maquinário, recomenda-se uma frota com capacidade extra — cerca de 30% acima do básico — além do uso estratégico de equipamentos multifuncionais e de apoio logístico.

DIRETRIZES PARA MANUTENÇÃO

Base Legal e Âmbito

CONSTRUÇÃO, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO  1.CONSTRUÇÃO A construção de um aterro sanitário fundamenta-se em três métodos operacionais principais: o método de rampa, recomendado para terrenos inclinados; o método de trincheira, que aproveita a escavada do solo para a cobertura dos resíduos; e o método de área, voltado a áreas planas. Independentemente do método adotado, a eficiência e a preservação ambiental do empreendimento dependem da atuação de uma equipe técnica especializada sob supervisão de engenheiro qualificado.  Os 3 métodos: Rampa, trincheira e área.  Critérios operacionais: Declividade, profundidade do lençol freático, escavação/cobertura e compactação dos resíduos.  Equipe e responsabilidade: Necessidade de profissional habilitado (Engenharia Civil/Sanitária/Ambiental), equipe técnica de suporte e operadores capacitados para mitigar impactos ambientais.   2. A OPERAÇÃO  A operação eficiente de um aterro sanitário exige um planejamento rigoroso do dimensionamento de máquinas e da logística no manejo de resíduos e material de cobertura. Para assegurar a continuidade do funcionamento e preservar a vida útil do maquinário, recomenda-se uma frota com capacidade extra — cerca de 30% acima do básico — além do uso estratégico de equipamentos multifuncionais e de apoio logístico.  DIRETRIZES PARA MANUTENÇÃO  Base Legal e Âmbito
MANUTENÇÃO DE UM ATERRO SANITÁRIO

O acompanhamento do empreendimento é respaldado pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), pelo Código Florestal (Lei 4.771/1965) e pelas Instruções Normativas do IBAMA (146/2007 e 154/2007).


O acompanhamento do empreendimento é respaldado pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), pelo Código Florestal (Lei 4.771/1965) e pelas Instruções Normativas do IBAMA (146/2007 e 154/2007). 3. FECHAMENTO     1. O Plano de Fechamento e Riscos Ambientais  • Atividade contínua: O planejamento do fechamento deve iniciar-se na fase de projeto, definindo a manutenção futura assim que o aterro atinge sua capacidade máxima.  • Passado vs. Presente: Aterros antigos ou abandonados são dispendiosos e perigosos porque aceitavam resíduos hoje proibidos e não seguiam as normas atuais.  • Aproximação estruturada: Em países em desenvolvimento, a coleta de dados de campo para quantificar a poluição subterrânea é complexa e cara, exigindo metas e orçamentos bem definidos por etapas.  2. Controle e Monitoramento do Biogás (Metano)  • Comportamento do gás: Um aterro jovem produz mais de 180 m³ de biogás por tonelada (50% de metano). Após 20 anos, esse volume cai para cerca de 5 m³ por tonelada (menos de 10% de metano).  • Frequência de amostragem nas chaminés:  • Aterros com menos de 5 anos: Coletas quinzenais a mensais.  • Aterros entre 10 e 30 anos: Coletas mensais a trimestrais.  •Infraestrutura necessária: Uso de laboratório com cromatógrafo, detectores de gás portáteis e o registro obrigatório de dados no diário de obras.  •Manutenção das chaminés: Deve ser feita pelo menos uma vez ao ano por pessoal especializado. É crucial evitar a entrada de água nas chaminés para não inflacionar a produção de chorume e gás.  •Fiscalização visual: Inspeções diárias no terreno para detectar vazamentos ou odores, tanto na área interna quanto no perímetro.  3. Controle de Percolados (Chorume) e Águas  •Poços de monitoramento: Devem ser instalados poços à montante (antes) e à jusante (depois) do aterro. Em terrenos planos com lençol freático próximo, a instalação de pelo menos dois poços é obrigatória.  • Frequência das análises laboratoriais da água:  • Menos de 5 anos de fechamento: Coletas mensais a trimestrais.  • Mais de 5 anos de fechamento: Coletas semestrais a anuais.  4. Assentamentos, Deformações e Emergências  •Controle topográfico: Medições do relevo garantem que a água da chuva escorra para fora da massa de lixo e não infiltre. Assentamentos bruscos podem indicar a reativação da decomposição e aumento de gases.  • Frequência das medições de deformação:  • Até 2 anos de fechamento: Mensal.  • De 2 a 5 anos: Trimestral.  • De 5 a 10 anos: Semestral.  • Acima de 10 anos: Anual (até a estabilização total).  •Planos de Emergência: Devem ser específicos e de resposta rápida para combater incêndios, migração de gases/percolados, inundações, erosão da cobertura e fissuras.  •Marco Legal: Todas as ações corretivas e rotinas de segurança devem ter caráter obrigatório, regulamentadas por lei e fiscalizadas por órgãos competentes.


3. FECHAMENTO


 1. O Plano de Fechamento e Riscos Ambientais

• Atividade contínua: O planejamento do fechamento deve iniciar-se na fase de projeto, definindo a manutenção futura assim que o aterro atinge sua capacidade máxima.

• Passado vs. Presente: Aterros antigos ou abandonados são dispendiosos e perigosos porque aceitavam resíduos hoje proibidos e não seguiam as normas atuais.

• Aproximação estruturada: Em países em desenvolvimento, a coleta de dados de campo para quantificar a poluição subterrânea é complexa e cara, exigindo metas e orçamentos bem definidos por etapas.

2. Controle e Monitoramento do Biogás (Metano)

• Comportamento do gás: Um aterro jovem produz mais de 180 m³ de biogás por tonelada (50% de metano). Após 20 anos, esse volume cai para cerca de 5 m³ por tonelada (menos de 10% de metano).

• Frequência de amostragem nas chaminés:

• Aterros com menos de 5 anos: Coletas quinzenais a mensais.

• Aterros entre 10 e 30 anos: Coletas mensais a trimestrais.

•Infraestrutura necessária: Uso de laboratório com cromatógrafo, detectores de gás portáteis e o registro obrigatório de dados no diário de obras.

•Manutenção das chaminés: Deve ser feita pelo menos uma vez ao ano por pessoal especializado. É crucial evitar a entrada de água nas chaminés para não inflacionar a produção de chorume e gás.

•Fiscalização visual: Inspeções diárias no terreno para detectar vazamentos ou odores, tanto na área interna quanto no perímetro.

3. Controle de Percolados (Chorume) e Águas

•Poços de monitoramento: Devem ser instalados poços à montante (antes) e à jusante (depois) do aterro. Em terrenos planos com lençol freático próximo, a instalação de pelo menos dois poços é obrigatória.

• Frequência das análises laboratoriais da água:

• Menos de 5 anos de fechamento: Coletas mensais a trimestrais.

• Mais de 5 anos de fechamento: Coletas semestrais a anuais.

4. Assentamentos, Deformações e Emergências

•Controle topográfico: Medições do relevo garantem que a água da chuva escorra para fora da massa de lixo e não infiltre. Assentamentos bruscos podem indicar a reativação da decomposição e aumento de gases.

• Frequência das medições de deformação:

• Até 2 anos de fechamento: Mensal.

• De 2 a 5 anos: Trimestral.

• De 5 a 10 anos: Semestral.

• Acima de 10 anos: Anual (até a estabilização total).

•Planos de Emergência: Devem ser específicos e de resposta rápida para combater incêndios, migração de gases/percolados, inundações, erosão da cobertura e fissuras.

•Marco Legal: Todas as ações corretivas e rotinas de segurança devem ter caráter obrigatório, regulamentadas por lei e fiscalizadas por órgãos competentes.

4. REINSERÇÃO    1. Diretrizes para a Reinserção de Áreas  •Estabilização biológica: O terreno só pode ser reutilizado quando os processos biológicos naturais do lixo terminarem e a massa de resíduos estiver estável.  •Objetivo principal: Toda alternativa de reuso deve priorizar a proteção da saúde humana e do meio ambiente.  •Planejamento antecipado: Definir o uso futuro antes do início das operações do aterro permite planejar os métodos de operação e o grau de compactação ideais para o projeto final (como ocorre no Chile com o Programa de Florestamento Urbano para criação de parques).  2. Desafios na Recuperação (Segundo La Grega et al.)  A escolha da metodologia de recuperação é complexa por quatro fatores:  • Condições de assentamento altamente complicadas.  • Recuperação de longo prazo, ocorrendo em várias etapas independentes.  • Grande variedade de alternativas técnicas disponíveis.  • Escassez de experiências consolidadas que apontem o melhor procedimento padrão.  3. Principais Usos da Área Recuperada  Usos Recreativos (Parques e Campos de Esportes)  • É uma das aplicações mais populares, embora ainda não haja consenso definitivo sobre qual vegetação se adapta melhor às condições adversas.  •Espécies recomendadas: Leguminosas e gramíneas (como trevo branco e rosa, Festuca, Agrostis, Lupino).  •Árvores e plantas com melhor desenvolvimento: Eucalipto, Esponjeira, Abricó, Cina-cina, Acácia, Raio de sol, Gazania, Rosa, Acer negundo, Fraxinus exelsior, Pimentão, Liquidambar estratiflua e Bracatinga.  •Nota prática: No Brasil (Paranaguá/PR), a mamona demonstrou excelente resultado na remediação de lixões.  Usos Comerciais (Estacionamentos e Edificações Leves)  •Muito utilizado em países desenvolvidos onde os aterros antigos foram absorvidos pelas áreas urbanas.  •Desafios Críticos: Além do manejo de gases e chorume, a capacidade de suporte e os assentamentos geotécnicos exigem atenção rigorosa.  • Soluções de Engenharia Utilizadas:  • Remoção total ou parcial do lixo e substituição por solo de boa qualidade.  •Melhoramento geotécnico (compactação, consolidação dinâmica ou aterros de sobrecarga).  • Construção de fundações profundas por meio de pilotis.  •Aplicação de camada de selagem superficial compactada para assentar estruturas leves ou estacionamentos.  Usos Agrícolas  • Focado na introdução de árvores e arbustos em setores não urbanos.   O ciclo do aterro sanitário é oficialmente considerado encerrado somente após a execução do fechamento, selagem, reinserção da área e o devido monitoramento temporal dos parâmetros.


4. REINSERÇÃO


1. Diretrizes para a Reinserção de Áreas

•Estabilização biológica: O terreno só pode ser reutilizado quando os processos biológicos naturais do lixo terminarem e a massa de resíduos estiver estável.

•Objetivo principal: Toda alternativa de reuso deve priorizar a proteção da saúde humana e do meio ambiente.

•Planejamento antecipado: Definir o uso futuro antes do início das operações do aterro permite planejar os métodos de operação e o grau de compactação ideais para o projeto final (como ocorre no Chile com o Programa de Florestamento Urbano para criação de parques).

2. Desafios na Recuperação (Segundo La Grega et al.)

A escolha da metodologia de recuperação é complexa por quatro fatores:

• Condições de assentamento altamente complicadas.

• Recuperação de longo prazo, ocorrendo em várias etapas independentes.

• Grande variedade de alternativas técnicas disponíveis.

• Escassez de experiências consolidadas que apontem o melhor procedimento padrão.

3. Principais Usos da Área Recuperada

Usos Recreativos (Parques e Campos de Esportes)

• É uma das aplicações mais populares, embora ainda não haja consenso definitivo sobre qual vegetação se adapta melhor às condições adversas.

•Espécies recomendadas: Leguminosas e gramíneas (como trevo branco e rosa, Festuca, Agrostis, Lupino).

•Árvores e plantas com melhor desenvolvimento: Eucalipto, Esponjeira, Abricó, Cina-cina, Acácia, Raio de sol, Gazania, Rosa, Acer negundo, Fraxinus exelsior, Pimentão, Liquidambar estratiflua e Bracatinga.

•Nota prática: No Brasil (Paranaguá/PR), a mamona demonstrou excelente resultado na remediação de lixões.

Usos Comerciais (Estacionamentos e Edificações Leves)

•Muito utilizado em países desenvolvidos onde os aterros antigos foram absorvidos pelas áreas urbanas.

•Desafios Críticos: Além do manejo de gases e chorume, a capacidade de suporte e os assentamentos geotécnicos exigem atenção rigorosa.

• Soluções de Engenharia Utilizadas:

• Remoção total ou parcial do lixo e substituição por solo de boa qualidade.

•Melhoramento geotécnico (compactação, consolidação dinâmica ou aterros de sobrecarga).

• Construção de fundações profundas por meio de pilotis.

•Aplicação de camada de selagem superficial compactada para assentar estruturas leves ou estacionamentos.

Usos Agrícolas

• Focado na introdução de árvores e arbustos em setores não urbanos.

O ciclo do aterro sanitário é oficialmente considerado encerrado somente após a execução do fechamento, selagem, reinserção da área e o devido monitoramento temporal dos parâmetros.