CONSTRUÇÃO, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO
A construção de um aterro sanitário fundamenta-se em três métodos operacionais principais: o método de rampa, recomendado para terrenos inclinados; o método de trincheira, que aproveita a escavada do solo para a cobertura dos resíduos; e o método de área, voltado a áreas planas. Independentemente do método adotado, a eficiência e a preservação ambiental do empreendimento dependem da atuação de uma equipe técnica especializada sob supervisão de engenheiro qualificado.
Os 3 métodos: Rampa,
trincheira e área.
Critérios operacionais: Declividade, profundidade do lençol freático, escavação/cobertura e compactação dos resíduos.
Equipe e responsabilidade: Necessidade de profissional habilitado (Engenharia Civil/Sanitária/Ambiental), equipe técnica de suporte e operadores capacitados para mitigar impactos ambientais.
2. A OPERAÇÃO
A operação eficiente de um aterro sanitário exige um planejamento rigoroso do dimensionamento de máquinas e da logística no manejo de resíduos e material de cobertura. Para assegurar a continuidade do funcionamento e preservar a vida útil do maquinário, recomenda-se uma frota com capacidade extra — cerca de 30% acima do básico — além do uso estratégico de equipamentos multifuncionais e de apoio logístico.
DIRETRIZES PARA MANUTENÇÃO
Base Legal e Âmbito

MANUTENÇÃO DE UM ATERRO SANITÁRIO
O acompanhamento do empreendimento é respaldado pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), pelo Código Florestal (Lei 4.771/1965) e pelas Instruções Normativas do IBAMA (146/2007 e 154/2007).
3. FECHAMENTO
1. O Plano de Fechamento e Riscos Ambientais
• Atividade contínua: O planejamento do fechamento deve iniciar-se na fase de projeto, definindo a manutenção futura assim que o aterro atinge sua capacidade máxima.
• Passado vs. Presente: Aterros antigos ou abandonados são dispendiosos e perigosos porque aceitavam resíduos hoje proibidos e não seguiam as normas atuais.
• Aproximação estruturada: Em países em desenvolvimento, a coleta de dados de campo para quantificar a poluição subterrânea é complexa e cara, exigindo metas e orçamentos bem definidos por etapas.
2. Controle e Monitoramento do
Biogás (Metano)
• Comportamento do gás: Um aterro jovem produz mais de 180 m³ de biogás por tonelada (50% de metano). Após 20 anos, esse volume cai para cerca de 5 m³ por tonelada (menos de 10% de metano).
• Frequência de amostragem nas
chaminés:
• Aterros com menos de 5 anos:
Coletas quinzenais a mensais.
• Aterros entre 10 e 30 anos:
Coletas mensais a trimestrais.
•Infraestrutura necessária: Uso de laboratório com cromatógrafo, detectores de gás portáteis e o registro obrigatório de dados no diário de obras.
•Manutenção das chaminés: Deve ser feita pelo menos uma vez ao ano por pessoal especializado. É crucial evitar a entrada de água nas chaminés para não inflacionar a produção de chorume e gás.
•Fiscalização visual: Inspeções diárias no terreno para detectar vazamentos ou odores, tanto na área interna quanto no perímetro.
3. Controle de Percolados
(Chorume) e Águas
•Poços de monitoramento: Devem ser instalados poços à montante (antes) e à jusante (depois) do aterro. Em terrenos planos com lençol freático próximo, a instalação de pelo menos dois poços é obrigatória.
• Frequência das análises
laboratoriais da água:
• Menos de 5 anos de
fechamento: Coletas mensais a trimestrais.
• Mais de 5 anos de
fechamento: Coletas semestrais a anuais.
4. Assentamentos, Deformações
e Emergências
•Controle topográfico: Medições do relevo garantem que a água da chuva escorra para fora da massa de lixo e não infiltre. Assentamentos bruscos podem indicar a reativação da decomposição e aumento de gases.
• Frequência das medições de
deformação:
• Até 2 anos de fechamento:
Mensal.
• De 2 a 5 anos: Trimestral.
• De 5 a 10 anos: Semestral.
• Acima de 10 anos: Anual (até
a estabilização total).
•Planos de Emergência: Devem ser específicos e de resposta rápida para combater incêndios, migração de gases/percolados, inundações, erosão da cobertura e fissuras.
•Marco Legal: Todas as ações corretivas e rotinas de segurança devem ter caráter obrigatório, regulamentadas por lei e fiscalizadas por órgãos competentes.
4. REINSERÇÃO
1. Diretrizes para a
Reinserção de Áreas
•Estabilização biológica: O terreno só pode ser reutilizado quando os processos biológicos naturais do lixo terminarem e a massa de resíduos estiver estável.
•Objetivo principal: Toda alternativa de reuso deve priorizar a proteção da saúde humana e do meio ambiente.
•Planejamento antecipado: Definir o uso futuro antes do início das operações do aterro permite planejar os métodos de operação e o grau de compactação ideais para o projeto final (como ocorre no Chile com o Programa de Florestamento Urbano para criação de parques).
2. Desafios na Recuperação
(Segundo La Grega et al.)
A escolha da metodologia de
recuperação é complexa por quatro fatores:
• Condições de assentamento
altamente complicadas.
• Recuperação de longo prazo,
ocorrendo em várias etapas independentes.
• Grande variedade de
alternativas técnicas disponíveis.
• Escassez de experiências
consolidadas que apontem o melhor procedimento padrão.
3. Principais Usos da Área
Recuperada
Usos Recreativos (Parques e
Campos de Esportes)
• É uma das aplicações mais populares, embora ainda não haja consenso definitivo sobre qual vegetação se adapta melhor às condições adversas.
•Espécies recomendadas: Leguminosas e gramíneas (como trevo branco e rosa, Festuca, Agrostis, Lupino).
•Árvores e plantas com melhor desenvolvimento: Eucalipto, Esponjeira, Abricó, Cina-cina, Acácia, Raio de sol, Gazania, Rosa, Acer negundo, Fraxinus exelsior, Pimentão, Liquidambar estratiflua e Bracatinga.
•Nota prática: No Brasil (Paranaguá/PR), a mamona demonstrou excelente resultado na remediação de lixões.
Usos Comerciais
(Estacionamentos e Edificações Leves)
•Muito utilizado em países desenvolvidos onde os aterros antigos foram absorvidos pelas áreas urbanas.
•Desafios Críticos: Além do manejo de gases e chorume, a capacidade de suporte e os assentamentos geotécnicos exigem atenção rigorosa.
• Soluções de Engenharia
Utilizadas:
• Remoção total ou parcial do
lixo e substituição por solo de boa qualidade.
•Melhoramento geotécnico (compactação, consolidação dinâmica ou aterros de sobrecarga).
• Construção de fundações
profundas por meio de pilotis.
•Aplicação de camada de selagem superficial compactada para assentar estruturas leves ou estacionamentos.
Usos Agrícolas
• Focado na introdução de
árvores e arbustos em setores não urbanos.
O ciclo do aterro sanitário é oficialmente considerado encerrado somente após a execução do fechamento, selagem, reinserção da área e o devido monitoramento temporal dos parâmetros.

