19 junho 2012

A GEOLOGIA ECONÔMICA E A GEOLOGIA DE ENGENHARIA



 A Geologia Econômica e a Geologia de Engenharia

A Geologia Econômica e a Geologia de Engenharia
A Geologia Econômica e a Geologia de Engenharia


A Geologia Econômica e a Geologia de Engenharia compõem os dois grandes campos de aplicação da Geologia. Aquela envolvendo os trabalhos de exploração e explotação de recursos minerais - minérios, água, hidrocarbonetos, essa dando conta de subsidiar todos os tipos de ações humanas de uso e ocupação do solo com as informações e orientações necessárias ao seu êxito técnico e ambiental.
 Tomando corpo no país especialmente a partir da década de 60, hoje a Geologia de Engenharia brasileira é reconhecida como uma das que melhor se faz em todo o mundo e já é responsável por grande parte dos empregos dos geólogos brasileiros.
Essa seção pretende levar a profissionais e estudantes informações básicas de caráter conceitual, metodológico e prático sobre a GE brasileira, com a preocupação adicional de colaborar para incorporar definitivamente a Geologia de Engenharia no mundo da Geologia brasileira.

Essência e Posicionamento Conceitual
A Geologia Econômica e a Geologia de Engenharia
A Geologia Econômica e a Geologia de Engenharia
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 Detendo-nos na frase de F. Bacon, "a natureza para ser comandada precisa ser obedecida", expressão que revela a maravilhosa capacidade de percepção e síntese própria dos sábios, podemos entendê-la como a própria essência conceitual da Geologia de Engenharia.
 Para o atendimento de suas necessidades (energia, transporte, alimentação, moradia, segurança física, comunicação...) o Homem é inexoravelmente levado a aproveitar uma série de recursos naturais (água, petróleo, minérios, energia hidráulica, solos...) e a ocupar e modificar espaços naturais das mais diversas formas (cidades, agricultura, indústria, usinas elétricas, vias de transportes, portos, canais, disposição de rejeitos ou resíduos...), o que já o transformou no mais poderoso agente geológico hoje atuante na superfície do Planeta. Para que esse comando da natureza seja coroado de êxito deve incorporar (obedecer) as leis que regem as características dos materiais e dos processos geológicos naturais afetados.

          
 De uma forma concisa, podemos entender a Geologia de Engenharia como a Geociência Aplicada responsável pelo domínio tecnológico da interface entre a atividade humana e o meio físico geológico.
                    
Posicionamento Disciplinar.

disciplinarmente, a Geologia de Engenharia admite duas abordagens não excludentes e plenamente válidas.
  Do ponto de vista da Geologia, ela é entendida como um de seus ramos aplicados. Certamente este é o posicionamento disciplinar mais adequado ao propósito de resguardar e ressaltar como fundamentais para o trabalho do geólogo de engenharia, o instrumental metodológico e a base acumulada de conhecimentos da Geologia. Significa o ato maior do geólogo de engenharia perceber o desafio que lhe é colocado pela Engenharia, através dos olhos da Geologia e, mais aplicadamente, dos processos geológicos envolvidos. E, portanto, também perceber a importância profissional em não se afastar do contexto e da evolução dos conhecimentos no campo de sua ciência matriz. O esquema da Figura 1 expressa esse entendimento.
  Do ponto de vista da ENGENHARIA, a Geologia de Engenharia é vista como um componente disciplinar da Geotecnia, entendida esta como o ramo da Engenharia que se ocupa da caracterização e do comportamento dos materiais e terrenos da crosta terrestre para fins de engenharia. Esse posicionamento disciplinar é especialmente oportuno no sentido de reforçar o caráter aplicado e as responsabilidades resolutivas, e inclusive legais, do trabalho do geólogo de engenharia.

 Conceituação disciplinar da Geologia de Engenharia


Nesta abordagem, a Geologia de Engenharia tem como disciplinas parceiras, também formadoras da Geotecnia, a Mecânica dos Solos e a Mecânica das Rochas, conforme apresenta o esquema.

   
 Disciplinas parceiras da Geologia de Engenharia

Ainda que com aplicações pontuais já bastante antigas, pode-se dizer que, do ponto de vista de sua personalização e sistematização científica, as três disciplinas são recentes. A hoje ISSMGE -International Society for Soil Mechanics and Geotechnical Engeneering foi fundada na ocasião de seu primeiro congresso internacional, em 1936, em Cambridge nos EUA; a ISRM - International Society for Rock Mechanics, fundada em 1962, organizou seu similar em 1966, em Lisboa, Portugal, e a hoje IAEG - International Association for Engineering Geology and the Environment, fundada em 1964, fez acontecer o seu primeiro conclave internacional em 1970, em Paris, França.
     Por Terzaghi (1944) e Vargas (1977), podemos entender a Mecânica dos Solos como a disciplina responsável pelos estudos teóricos e práticos sobre o comportamento dos solos - materiais terrosos - naturais sob o enfoque de sua solicitação pela Engenharia.
     A ISMR assim sugere a conceituação da Mecânica das Rochas em seus estatutos: "O campo da Mecânica das Rochas é voltado a incluir todos os estudos relativos ao comportamento físico e mecânico das rochas e maciços rochosos e a aplicação desse conhecimento para o melhor entendimento de processos geológicos e para o campo da Engenharia".
     Importante observar nesse contexto epistemológico, que os fenômenos geotécnicos do âmbito da Geologia de Engenharia serão qualitativamente e dinamicamente explicados por essa disciplina, mas quantitativamente e mecanicamente somente equacionados pelas leis da Mecânica dos Solos e da Mecânica das Rochas. Ou seja, os fenômenos de Geologia de Engenharia desenvolvem-se segundo as leis da Mecânica dos Solos e da Mecânica das Rochas.

Fundamentos Filosóficos
"Toda Ciência deve ter uma filosofia, e só esse caminho pode levar a progressos reais", afirmava categoricamente já em 1809 Lamarck, em sua histórica obra "Filosofia Zoológica".
 Para Lamarck, que estabeleceu pela primeira vez, ordenadamente, as bases da teoria evolucionista, a filosofia de sua Ciência, qual seja a Zoologia, o estudo das espécies, fundava-se no conceito das analogias e semelhanças entre os seres e no conceito do sentido da complexidade no processo evolutivo.

    
A filosofia da Geologia de Engenharia funda-se, em minha percepção, em três conceitos essenciais:



Base Disciplinar de Apoio
 Além da própria Geologia, como ciência matriz, e da Mecânica das Rochas e da Mecânica dos Solos, como disciplinas correlatas na Geotecnia, a Geologia de Engenharia se vale de uma série de ciências e disciplinas conexas para seu integral exercício, conforme apresenta o esquema.

Geologia de Engenhariaciências e disciplinas conexas


Campos Profissionais de Aplicação
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     Ainda que o geólogo de engenharia possa adotar um perfil profissional eclético, é mais comum observar-se uma determinada especialização em um ou mais campos de atividade. A seguir, relacionamos, sem pretensão exaustiva, os campos profissionais de aplicação que se têm consolidado até hoje no país e no mundo. São determinados tanto por tipo de solicitação aos terrenos, como por tipos de fenômenos geotécnicos, técnicas de apoio, outras áreas de conhecimento e campos de atividade.


Fonte:geologiadobrasil.com.br/