05 março 2022

COOPERATIVA DOS RECICLADORES COOCARES PODE PERDER BENEFICIOS DE R$30MIL POR FALTA DE REGISTRO EM CARTÓRIO

PASSOS – A Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis do Sudoeste de Minas Gerais (Coocares), entidade considerada assistencial/filantrópica, corre o risco de ficar sem receber R$ 30 mil em subvenções sociais por não apresentar onde deve pretende aplicar a verba e por falta de recursos para pagar o registro da ata de fundação e da diretoria junto ao cartório e à Receita Federal.

A verba foi aprovada por meio de projeto de lei enviado à Câmara pela Prefeitura de Passos, aprovado no dia 26 de outubro de 2021, e beneficia mais três instituições com subvenções sociais, totalizando a quantia de R$ 120 mil. Para cada, a proposta é repassar R$ 30 mil.

A vice-presidente da Coocares, Regina Lopes Lima, afirma que a documentação da cooperativa está em dia, mas falta dinheiro para registrar a ata de fundação e da diretoria junto ao cartório e à Receita Federal.

“Não temos dinheiro para isso. Precisamos de ajuda de pessoas, porque os R$ 30 mil vão dar para liquidarmos todas as nossas dívidas e ainda sobra para pagar os salários dos 12 catadores cadastrados. Que Deus ilumine alguém para colaborar com o nosso contador e deixar tudo certo em termos de documentação”, disse.

 

 

COOPERATIVA DOS RECICLADORES COOCARES PODE PERDER BENEFICIOS DE R$30MIL POR  FALTA DE REGISTRO EM CARTÓRIO
COOPERATIVA DOS RECICLADORES COOCARES PODE PERDER BENEFÍCIOS DE R$30MIL POR  FALTA DE REGISTRO EM CARTÓRIO

Além de dívidas, a Coocares está sem veículo para levar os materiais recicláveis até a sua nova sede, na Avenida Arlindo Figueiredo, 1.781, próximo do Lar São Vicente de Paulo. A única caminhonete, bastante usada, está com defeito e precisa de reparos.

“Não temos dinheiro para as despesas de oficina, peças e combustível. Ela é muito importante para nós, porque os catadores não dão conta de buscar material longe daqui. Toda hora recebemos ligações de pessoas doando, mas perdemos a chance de ganhar dinheiro por falta de condução”, disse. Segundo ela, a cooperativa não recebe ajuda para transporte do material.

Ainda de acordo com Regina, em março do ano passado, um empresário do ramo de ar-condicionado de Carmo do Rio Claro, com loja em Passos, firmou uma parceria com a Coocares com a promessa de pagar o aluguel da sede, no valor mensal de R$ 2.700, ceder um caminhão e uma caminhonete, pagar os salários dos catadores, telefone, água e energia. Em janeiro de 2022, se desentendeu com a direção da instituição e desfez a parceria.

“Ele nos deixou endividados. Não pagou o aluguel de fevereiro e tivemos que vender o estoque de recicláveis, o de março vence dia 10, os salários, telefone, e deixou de pagar o Saae durante seis meses. Com pouco material para vender porque não temos como buscá-lo, pagamos a locação de fevereiro do barracão, e com isso, cada catador recebeu pouco mais de R$ 100”, declarou Regina.

 

BARRACÃO DA COOPERATIVA COOCARES NOS DIAS QUE RECOLHIA RESÍDUOS TODO DIA
BARRACÃO DA COOPERATIVA COOCARES NOS DIAS QUE RECOLHIA RESÍDUOS TODO DIA

Prefeitura prevê parceria em coleta seletiva

Surgiu nos últimos dias, uma polêmica sobre a informação da secretária municipal de Obras, Clélia Rosa, na reportagem publicada nesta Folha dia 3 deste mês, de que a prefeitura cede um caminhão destinado à coleta de materiais descartáveis para a Coocares e a Associação de Apoio e de Catadores de Materiais Recicláveis (AAção Reciclagem). O Diretor Municipal de Meio Ambiente, Gilson de Oliveira Wenceslau, esclareceu que:

“Em 2020, três caminhões usados na extração clandestina de pedra quartzito foram apreendidos por funcionários de um órgão federal fiscalizador do meio ambiente na região. Eles foram trazidos para o pátio da prefeitura localizado na rua Tenente Vasconcelos, tendo o município sido nomeado depositário fiel dos veículos. Em contato com o prefeito na época, em 2020, foi solicitado pela AAção Reciclagem que o termo de depositário fiel de um caminhão, fosse repassado para a referida associação, visando dar suporte no projeto de coleta seletiva. Diante da concordância do prefeito e autorização do órgão ambiental federal, a guarda de um caminhão foi repassada para a instituição. A utilização do referido caminhão na coleta seletiva não envolve a cooperativa Coocares”.

Wenceslau revelou que a prefeitura adquiriu três caminhões para implantação da coleta seletiva de materiais recicláveis em Passos. A intenção da administração pública municipal é repassar os caminhões para associações e cooperativas de catadores, que estejam regularizadas nos termo da Lei Federal nº 13.019/2014 e demais legislações pertinentes, através de chamamento público, sendo que Coocares e AAção Reciclagem poderão participar do processo.

A Secretária Municipal de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, Carla Pimentel, há oito meses no cargo, disse que não foi procurada pela direção da Coocares e que está disposta a ajudar a entidade.

“Peço aos responsáveis que me procurem semana que vem. Será um prazer conhecê-los e atender seus pedidos. O meu contato frequente é com o ex-presidente da AAção, e atual secretário do Meio Ambiente, Gilson Wenceslau”, afirmou.

Por Ézio Santos/ Especial

Fonte clic folha 

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