25 julho 2016

IMPACTOS GERADOS PELO SETOR DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Impactos Gerados pelo Setor de Construção Civil

Desde o início da década de 1990, o setor da construção civil empenha-se em desenvolver mecanismos para minimizar os impactos ambientais, por meio de posturas proativas, com estudos mais sistemáticos e resultados mensuráveis, como reciclagem de resíduos e redução de perdas de energia (OLIVEIRA, 2002).

A indústria da construção civil, em seu processo produtivo, gera perdas estimadas em 150 quilos de resíduos por metro quadrado (AGOPYAN, 2000). O impacto em áreas urbanas é bastante significativo, provocando deterioração no meio ambiente, originando deposições irregulares, bota-foras ou aterros inertes, que se esgotam rapidamente.


Impactos Gerados pelo Setor de Construção Civil
Impactos Gerados pelo Setor de Construção Civil

A fim de traçar um paralelo com os resíduos gerados na construção civil, segue abaixo uma tabela ilustrativa do volume de resíduos sólidos urbanos gerados em um município de grande porte.

Tabela - Tipos de resíduos sólidos urbanos gerados em alguns municípios do Estado de São Paulo (PINTO, 1999). 

Município (1996)
Resíduos sólidos
Domiciliares (t/dia)
Entulho (RCD)
(t/dia)
Campinas
700
1800
Jundiaí
314
712
São José do Rio Preto
302
687
Santo André
674
1013

Na tabela acima, os RCD designados como entulho equivalem a praticamente o dobro dos resíduos sólidos domiciliares coletados diariamente. Trata-se de uma quantidade expressiva, capaz de trazer grandes impactos ambientais em todas as etapas do processo produtivo, desde o processo de extração de matérias-primas até a produção de materiais durante a execução da obra, no uso da edificação e da demolição.

As quantidades típicas dos resíduos gerados nas atividades de construção, manutenção e demolição encontram-se entre 400 a 500 kg/hab. ano, quantidade muito superior à massa de resíduo domiciliares. As estimativas internacionais apontaram geração superior a 130 kg/hab. ano - 9 - (JOHN & AGOPYAN, 2000). Esses números são estimativas muitas vezes questionadas pelos pesquisadores, pois não existe uma metodologia única que possa dar validade aos dados nacionais tão diversificados. Tal diversidade pode ser apreciada na tabela abaixo:

Tabela Estimativa de geração de resíduos da construção civil (JOHN & AGOPYAN, 2000).
País
Quantidade anual (kg/hab)
Fonte
Suécia
130-680
TOLSTOY, BORKUND & CARLSON
(1998); EU (1999).
Holanda
820-1300
LAURITZEN(1998), EU (1999);
BROUWERS & VAN KESSEL (1996)
EUA
463-584
EPA (1998); PENG, GROSSKOPF, KIBERT(1994)
Reino Unido
880-1120
DETR (1998); LAURITZEN (1998)
Bélgica
735-3359
LAURITZEN (1998), EU (1999)
Dinamarca
440-2010
LAURITZEN (1998), EU (1999)
Itália
600-690
LAURITZEN (1998), EU (1999)
Alemanha
963-3658
LAURITZEN (1998), EU (1999)
Japão
785
KASAI (1998)
Portugal
325
EU (1999)
Brasil
230-660
PINTO (1999)

A Tabela ACIMA mostra dois grupos distintos: os países que possuem uma média da quantidade anual próxima à do Japão − 785 kg/hab. − e os países cuja média anual encontra-se acima de 1 060 kg/hab., como Holanda, Reino Unido, Bélgica, Dinamarca e Alemanha.


É nesse sentido que Pinto (1999) argumenta que há um grande desconhecimento dos volumes gerados de RCD, além dos impactos causados ao meio ambiente e dos custos sociais envolvidos. O autor ressalta ainda a necessidade de criação de ações públicas e privadas para que recursos naturais não renováveis sejam usados com racionalidade, buscando a preservação do meio ambiente e a eliminação da disposição aleatória de resíduos com elevado potencial de aproveitamento. Propõe uma metodologia para a Gestão Diferenciada de Resíduos da Construção e Demolição, a fim de minimizar e valorizar os resíduos. Essa metodologia está baseada na captação máxima dos resíduos gerados, na reciclagem dos resíduos captados e na alteração de procedimentos e culturas. Entre os objetivos gerais, estão a preservação ambiental, com a redução dos impactos por má deposição, e a redução da exploração de jazidas naturais de agregados para construção civil. Enfatiza também o incentivo às parcerias para reciclagem de RCD, substituindo a solução dos “bota-foras” emergenciais por Centrais de Reciclagem, buscando a transformação dos resíduos em nova matéria-prima a ser utilizada em obras da construção civil.
Fonte do texto:.ietsp.com.br/ UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS/Nelma Almeida Cunha